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loucos por blog

domingo, 15 de dezembro de 2013

Um Reino “que não será arruinado”


OS EVENTOS mundiais confirmam diariamente a verdade que os humanos não encontram a felicidade rejeitando a soberania de Jeová e tentando governar a si mesmos. Nenhum sistema de governo humano trouxe benefícios imparciais à humanidade. Embora tenham alcançado níveis de conhecimento científico sem precedentes, os humanos não conseguiram acabar com as doenças ou com a morte, nem mesmo num único caso. O governo humano não eliminou a guerra, a violência, o crime, a corrupção ou a pobreza. Governos opressivos ainda dominam em muitos países. (Eclesiastes 8:9) A tecnologia, a ganância e a ignorância se conjugam para poluir o solo, a água e o ar. Para muitos, a má gestão da economia por parte de autoridades dificulta a obtenção do sustento. Milhares de anos de governo humano tornaram óbvia esta verdade: “Não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” — Jeremias 10:23.
2 Qual é a solução? O Reino de Deus, pelo qual Jesus ensinou seus seguidores a orar: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mateus 6:9, 10) Em 2 Pedro 3:13, o Reino celestial de Deus é descrito como “novos céus” que governarão a “nova terra”, isto é, uma sociedade humana justa. O Reino celestial de Deus é tão importante que Jesus fez dele o ponto focal de sua pregação. (Mateus 4:17) Ele indicou que lugar devemos dar a ele na nossa vida, exortando: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça.” — Mateus 6:33.
3 Aprender sobre o Reino de Deus é de máxima urgência, pois esse Reino em breve agirá para mudar de uma vez por todas o governo da Terra. Daniel 2:44 prediz: “Nos dias daqueles reis [governos atuais] o Deus do céu estabelecerá um reino [no céu] que jamais será arruinado. E o próprio reino não passará a qualquer outro povo [os humanos nunca mais governarão a Terra]. Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos [atuais], e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos.” Portanto, o Reino porá fim a estes últimos dias, destruindo todo o atual sistema mundial perverso. Daí, o governo da Terra pelo Reino celestial será incontestável. Quanta gratidão devemos ter de que o alívio que isso trará está bem próximo!
4 Em 1914, Jesus Cristo foi empossado como Rei e autorizado a ‘subjugar no meio de seus inimigos’. (Salmo 110:1, 2) Nesse mesmo ano começaram também os “últimos dias” do atual sistema mundial perverso. (2 Timóteo 3:1-5, 13) Ao mesmo tempo, certos eventos que Daniel observou numa visão profética tornaram-se realidade no céu. O “Antigo de Dias”, Jeová Deus, conferiu ao Filho do homem, Jesus Cristo, ‘domínio, dignidade e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o servissem’. Relatando essa visão, Daniel escreveu: “Seu domínio é um domínio de duração indefinida, que não passará, e seu reino é um que não será arruinado.” (Daniel 7:13, 14) Será por meio desse Reino celestial, às mãos de Jesus Cristo, que Deus fará com que os amantes da justiça usufruam as inumeráveis coisas boas que ele tinha em mente quando colocou os nossos primeiros pais humanos no Paraíso.
5 Você deseja ser súdito leal do Reino? Em caso afirmativo, estará profundamente interessado na estrutura e no funcionamento desse governo celestial. Desejará saber o que o Reino está fazendo agora, o que fará no futuro e o que requer de você. Ao se aprofundar no assunto, seu apreço pelo Reino de Deus deverá aumentar. Se aceitar o seu governo, estará mais bem preparado para divulgar as coisas maravilhosas que esse Reino fará pelos humanos obedientes. — Salmo 48:12, 13.
Os governantes do Reino de Deus
6 Uma das primeiras coisas que tal exame revela é que esse Reino Messiânico é uma expressão da soberania do próprio Jeová. Foi Jeová quem deu ‘domínio, dignidade e um reino’ ao seu Filho. Depois que o Filho de Deus foi empossado no cargo de Rei, vozes no céu proclamaram apropriadamente: “O reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor [Jeová Deus] e do seu Cristo, e ele [Jeová] reinará para todo o sempre.” (Revelação [Apocalipse] 11:15) Assim, tudo o que observamos a respeito desse Reino e o que ele realiza pode nos achegar ainda mais ao próprio Jeová. O que aprendemos deve instilar em nós o desejo de nos sujeitarmos para sempre à sua soberania.
7 Considere também o fato de que Jeová colocou Jesus Cristo no trono como seu Governante Adjunto. Como Mestre-de-Obras de Deus na criação da Terra e dos humanos, Jesus conhece as nossas necessidades melhor do que nós mesmos. Além disso, desde o começo da história humana ele mostrou que ‘gostava dos filhos dos homens’. (Provérbios 8:30, 31; Colossenses 1:15-17) Seu amor pelos humanos é tão grande que veio pessoalmente à Terra e deu a sua vida como resgate em nosso favor. (João 3:16) Assim, ele tornou disponível para nós os meios de libertação do pecado e da morte e a oportunidade de ganhar vida eterna. — Mateus 20:28.
8 O Reino de Deus é um governo estável e duradouro. Sua eternidade é garantida pelo fato de que o próprio Jeová não está sujeito à morte. (Habacuque 1:12) Em contraste com os reis humanos, Jesus Cristo, a quem Deus confiou o reinado, também é imortal. (Romanos 6:9; 1 Timóteo 6:15, 16) Junto com Cristo, ocupando tronos celestiais, haverá mais 144.000, servos leais de Deus dentre ‘toda tribo, língua, povo e nação’. Estes também recebem a vida imortal. (Revelação 5:9, 10; 14:1-4; 1 Coríntios 15:42-44, 53) A vasta maioria deles já está no céu, e o restante deles que ainda está na Terra constitui o atual “escravo fiel e discreto”, que promove lealmente os interesses desse Reino aqui. — Mateus 24:45-47.
9 Em breve, no seu tempo designado, Jeová mobilizará as suas forças executoras para limpar a Terra. Elas destruirão para sempre os humanos que, por vontade própria, recusam-se a reconhecer a soberania de Deus e zombam das amorosas provisões divinas, feitas por meio de Jesus Cristo. (2 Tessalonicenses 1:6-9) Esse será o dia de Jeová, o há muito aguardado dia de sua vindicação como Soberano Universal. “Eis que está chegando o próprio dia de Jeová, cruel, tanto com fúria como com ira ardente, . . . para aniquilar [na terra] os pecadores.” (Isaías 13:9) “Este dia é dia de fúria, dia de aflição e de angústia, dia de tempestade e de desolação, dia de escuridão e de trevas, dia de nuvens e de densas trevas.” — Sofonias 1:15.
10 Toda a religião falsa e todos os governos humanos e seus exércitos, que têm sido manipulados pelo perverso governante invisível deste mundo, serão aniquilados para sempre. Todos os que se identificam com este mundo, por levarem um modo de vida egoísta, desonesto e imoral, serão destruídos. Satanás e seus demônios perderão o contato com os habitantes da Terra, pois estarão seguramente confinados por mil anos. O Reino de Deus terá então o controle completo sobre todos os assuntos da Terra. Que alívio isso será para todos os que amam a justiça! — Revelação 18:21, 24; 19:11-16, 19-21; 20:1, 2.
Os objetivos do Reino — como são atingidos
11 O Reino Messiânico cumprirá plenamente o propósito original de Deus para com a Terra. (Gênesis 1:28; 2:8, 9, 15) Até hoje, a humanidade não tem dado apoio a esse propósito. No entanto, “a vindoura terra habitada” estará sujeita ao Filho do homem, Jesus Cristo. Todos os que sobreviverem à execução do julgamento de Jeová contra este velho sistema trabalharão unidos sob Cristo, o Rei. De bom grado farão tudo o que ele ordenar e, assim, a Terra se transformará num paraíso global. (Hebreus 2:5-9) Toda a humanidade usufruirá o trabalho de suas mãos e se beneficiará plenamente da fartura dos produtos da Terra. — Salmo 72:1, 7, 8, 16-19; Isaías 65:21, 22.
12 Adão e Eva foram criados perfeitos, e o propósito de Deus era que a Terra fosse povoada pelos descendentes deles, todos com mente e corpo perfeitos. Esse propósito terá um cumprimento glorioso sob o governo do Reino. Isso exigirá a eliminação de todos os efeitos do pecado e, para esse fim, Cristo não servirá apenas como Rei, mas também como Sumo Sacerdote. Pacientemente, ele ajudará seus súditos obedientes a se beneficiarem do valor expiatório do sacrifício de sua própria vida humana.
13 Sob o governo do Reino, os habitantes da Terra obterão maravilhosos benefícios físicos. “Naquele tempo abrir-se-ão os olhos dos cegos e destapar-se-ão os próprios ouvidos dos surdos. Naquele tempo o coxo estará escalando como o veado e a língua do mudo gritará de júbilo.” (Isaías 35:5, 6) A pele desfigurada pela idade ou por doença tornar-se-á mais viçosa do que a de uma criança, e as debilidades crônicas darão lugar à saúde vigorosa. “Torne-se a sua carne mais fresca do que na infância; volte ele aos dias do seu vigor juvenil.” (Jó 33:25) Virá o dia em que ninguém terá motivos para dizer: “Estou doente.” Por que não? Porque os humanos tementes a Deus serão aliviados do fardo do pecado e de seus efeitos penosos. (Isaías 33:24; Lucas 13:11-13) Sim, Deus “enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram”. — Revelação 21:4.
14 Atingir a perfeição, no entanto, envolve muito mais do que ter um físico perfeito e uma mente sã. Inclui refletir corretamente as qualidades de Jeová, visto que fomos feitos ‘à imagem de Deus, segundo a sua semelhança’. (Gênesis 1:26) Para esse fim, será necessário muito ensino. No novo mundo, “há de morar a justiça”. Assim, como Isaías predisse, “os habitantes do solo produtivo certamente aprenderão a justiça”. (2 Pedro 3:13; Isaías 26:9) Esta qualidade leva à paz — entre pessoas de todas as raças, entre amigos, na família e, acima de tudo, com o próprio Deus. (Salmo 85:10-13; Isaías 32:17) Os que aprenderem a justiça serão instruídos progressivamente sobre o que Deus espera deles. À medida que o amor a Jeová se arraigar bem fundo nos seus corações, eles seguirão os Seus caminhos em todos os aspectos da vida. Poderão dizer o mesmo que Jesus: ‘Faço sempre as coisas que agradam ao meu Pai.’ (João 8:29) Como será agradável a vida quando isso acontecer com toda a humanidade!
Realizações já evidentes
15 As impressionantes realizações do Reino de Deus e de seus súditos são evidentes. As seguintes perguntas e textos bíblicos lhe farão lembrar algumas dessas realizações, bem como de certas coisas que todos os súditos do Reino podem e devem fazer agora.
Contra quem foi a primeira ação do Reino, e com que resultado? (Revelação 12:7-10, 12)
O ajuntamento dos membros remanescentes de que grupo recebe atenção desde a entronização de Cristo? (Revelação 14:1-3)
Que obra Jesus predisse que faria depois do irrompimento da grande tribulação, conforme registrado em Mateus 25:31-33?
Que obra preliminar está sendo realizada hoje? Quem participa nela? (Salmo 110:3; Mateus 24:14; Revelação 14:6, 7)
Por que os opositores políticos e religiosos não têm conseguido parar a obra de pregação? (Zacarias 4:6; Atos 5:38, 39)
Que mudanças têm ocorrido na vida dos que aceitam o governo do Reino? (Isaías 2:4; 1 Coríntios 6:9-11)

A força da esperança da ressurreição


JÁ SOFREU a perda de uma pessoa amada? Sem a ressurreição, não haveria esperança de revê-la. Ela permaneceria na condição descrita na Bíblia: “Os mortos . . . não estão cônscios de absolutamente nada, . . . pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol [a sepultura], o lugar para onde vais.” — Eclesiastes 9:5, 10.
2 Misericordiosamente, por meio da ressurreição, Jeová abriu a inestimável oportunidade para que uma multidão incalculável de mortos volte a viver e ganhe a vida eterna. Isso significa que você pode ter a esperança acalentadora de algum dia, no novo mundo de Deus, reencontrar seus entes queridos que adormeceram na morte. — Marcos 5:35, 41, 42; Atos 9:36-41.
3 Por causa da ressurreição, não precisamos ter pavor da morte. Jeová pode, sem que seus servos sofram danos irreparáveis, permitir que Satanás vá até o limite na tentativa de provar sua acusação maligna de que “tudo o que o homem tem dará pela sua alma”. (Jó 2:4) Jesus foi fiel a Deus mesmo em face da morte, de modo que Deus o ressuscitou para a vida celestial. Assim, Jesus pôde apresentar perante o trono celestial de seu Pai o valor de seu sacrifício humano perfeito, o que resultou em benefícios que podem salvar a nossa vida. Por meio da ressurreição, os membros do “pequeno rebanho”, como co-herdeiros de Cristo, têm a esperança de serem unidos com ele no Reino celestial. (Lucas 12:32) Para outros, existe a esperança de uma ressurreição para a vida eterna numa Terra paradisíaca. (Salmo 37:11, 29) Todos os cristãos constatam que a esperança da ressurreição é uma fonte de força “além do normal” ao sofrerem provações que os colocam frente a frente com a morte. — 2 Coríntios 4:7.
Por que é fundamental para a fé cristã
4 A ressurreição, como diz Hebreus 6:1, 2, é uma “doutrina primária”. É parte do fundamento da fé, sem o qual nunca poderíamos nos tornar cristãos maduros. (1 Coríntios 15:16-19) No entanto, o ensino bíblico da ressurreição é estranho ao pensamento do mundo em geral. Por falta de espiritualidade, cada vez mais pessoas encaram apenas esta vida como real. Assim, elas levam uma vida voltada aos prazeres. E há os adeptos das religiões tradicionais — tanto dentro como fora da cristandade — que pensam que têm uma alma imortal. Mas é impossível harmonizar essa crença com o ensino bíblico da ressurreição, pois a ressurreição seria desnecessária se os humanos tivessem uma alma imortal. Tentar conciliar esses dois conceitos gera mais confusão do que esperança. Como podemos ajudar os sinceros que desejam saber a verdade?
5 Antes que tais pessoas possam avaliar a maravilha que é a provisão da ressurreição, elas precisam entender corretamente o que é a alma e qual é a condição dos mortos. Em muitos casos, bastam apenas alguns textos para esclarecer esses assuntos a uma pessoa faminta da verdade bíblica. (Gênesis 2:7; Salmo 146:3, 4; Ezequiel 18:4) No entanto, algumas traduções e paráfrases modernas da Bíblia obscurecem a verdade a respeito da alma. De modo que pode ser necessário examinar as expressões usadas nas línguas originais da Bíblia.
6 A Tradução do Novo Mundo é especialmente valiosa neste respeito, pois traduz de modo uniforme por “alma” o termo hebraico né·fesh e o equivalente grego psy·khé. O apêndice dessa tradução alista muitos textos em que esses termos ocorrem. Muitas outras traduções bíblicas não são coerentes, pois traduzem as mesmas palavras originais não só por “alma”, mas também por “criatura”, “ser”, “pessoa” e “vida”; “minha né·fesh” talvez seja traduzido por “eu”, e “tua né·fesh” por “tu”. Uma comparação da Tradução do Novo Mundo com outras traduções da Bíblia ajudará o estudante sincero a ver que os termos das línguas originais traduzidos por “alma” se referem tanto a pessoas como a animais. Mas esses termos nunca transmitem a idéia de que a alma seja algo invisível e intangível, que pode sair do corpo por ocasião da morte e ter uma existência consciente em algum lugar.
7 A Tradução do Novo Mundo também é coerente no uso da palavra “Seol” para transliterar o termo hebraico she’óhl, bem como no uso de “Hades” para o termo grego haí·des, e “Geena” para o termo grego gé·en·na. “Seol” é o equivalente da palavra “Hades”. (Salmo 16:10; Atos 2:27) A Bíblia esclarece que tanto Seol como Hades se referem à sepultura comum da humanidade e estão associados com a morte, não com a vida. (Salmo 89:48; Revelação [Apocalipse] 20:13) As Escrituras também apresentam a perspectiva de sair da sepultura, por meio de uma ressurreição. (Jó 14:13; Atos 2:31) Em contraste, não há nenhuma esperança de vida futura para os que vão para a Geena, e nunca se fala de a alma ter existência consciente ali. — Mateus 10:28.
8 Uma vez esclarecidos esses assuntos, pode-se ajudar a pessoa a compreender o que a ressurreição pode significar para ela. Ela pode começar a desenvolver apreço pelo amor de Jeová em fazer uma provisão tão maravilhosa. A alegre expectativa de um reencontro no novo mundo de Deus pode abrandar a dor dos que perderam entes queridos. Entender esses assuntos é também a chave para entender o significado da morte de Cristo. Os cristãos do primeiro século compreendiam que a ressurreição de Jesus Cristo era fundamental para a fé cristã, pois abria o caminho para a ressurreição de outros. Eles pregavam zelosamente a ressurreição de Jesus e a esperança que esta oferecia. Do mesmo modo, os que hoje têm apreço pela ressurreição desejam ansiosamente falar a outros sobre essa preciosa verdade. — Atos 5:30-32; 10:42, 43.
O uso da ‘chave do Hades’
9 Todos os que estarão associados com Cristo, no seu Reino celestial, por fim terão de morrer. Mas eles conhecem muito bem a garantia que Jesus deu, quando disse: “Fiquei morto, mas, eis que vivo para todo o sempre, e tenho as chaves da morte e do Hades.” (Revelação 1:18) O que Jesus queria dizer com isso? Estava trazendo à atenção a sua própria experiência. Ele também havia morrido. Mas Deus não o deixara no Hades. No terceiro dia, o próprio Jeová o ressuscitou para a vida espiritual e concedeu-lhe a imortalidade. (Atos 2:32, 33; 10:40) Além disso, Deus lhe deu “as chaves da morte e do Hades”, para libertar outros da sepultura comum da humanidade e dos efeitos do pecado adâmico. De posse dessas chaves, Jesus pode ressuscitar seus seguidores fiéis. Ele ressuscita primeiro os membros de sua congregação, ungidos com espírito, dando-lhes a dádiva preciosa da vida imortal no céu, assim como seu Pai lhe dera. — Romanos 6:5; Filipenses 3:20, 21.
10 Quando é que se daria essa ressurreição celestial dos cristãos ungidos fiéis? A Bíblia indica que ela já começou. O apóstolo Paulo explicou que eles seriam ressuscitados ‘durante a presença de Cristo’, presença essa que começou no ano de 1914. (1 Coríntios 15:23) Agora, quando os ungidos fiéis terminam a sua carreira terrestre, durante a atual “presença” de Cristo, não precisam permanecer mortos até a volta de seu Senhor. Assim que morrem, são ressuscitados em espírito, sendo “mudados, num momento, num piscar de olhos”. Quanta felicidade eles têm, visto que as boas obras que fizeram “os acompanham”! — 1 Coríntios 15:51, 52; Revelação 14:13.
11 Mas a ressurreição dos herdeiros do Reino para a vida celestial não é a única ressurreição. Ser ela chamada de “primeira ressurreição”, em Revelação 20:6, indica que teria de haver uma outra depois. Os que forem beneficiados por essa ressurreição posterior terão a perspectiva feliz de viver para sempre numa Terra paradisíaca. Quando se dará isso? O livro de Revelação mostra que será depois que “a terra e o céu” — o atual sistema mundial perverso, com seus governantes — forem eliminados. Esse fim do velho sistema está muito próximo. Depois, no tempo marcado por Deus, começará a ressurreição terrestre. — Revelação 20:11, 12.
12 Quem será incluído nessa ressurreição terrestre? Entre eles estarão servos fiéis de Jeová da antiguidade, homens e mulheres que, por causa de sua forte fé na ressurreição, “não queriam aceitar um livramento por meio de algum resgate”. Isto é, eles recusaram violar a sua integridade a Deus a fim de escapar de uma morte violenta ou prematura. Quanto prazer será conhecê-los pessoalmente e ouvir deles os detalhes de eventos que a Bíblia relata apenas em resumo! Entre os que também serão ressuscitados para a vida na Terra estarão Abel, a primeira testemunha fiel de Jeová; Enoque e Noé, proclamadores destemidos da mensagem divina antes do Dilúvio; Abraão e Sara, que acolheram anjos; Moisés, por meio de quem foi dada a Lei, no monte Sinai; profetas corajosos, como Jeremias, que viu a destruição de Jerusalém em 607 AEC; e João Batista, que ouviu o próprio Deus identificar Jesus como Seu Filho. Haverá também muitos homens e mulheres leais que morreram durante os últimos dias do atual sistema perverso. — Hebreus 11:4-38; Mateus 11:11.
13 Com o tempo, outros além dos servos fiéis de Deus também serão ressuscitados, de modo que não ficará ninguém na sepultura comum da humanidade. Até que ponto essa sepultura será esvaziada pode-se ver no uso que Jesus fará da ‘chave do Hades’ em favor da humanidade. Isso é demonstrado numa visão apresentada ao apóstolo João, na qual ele viu o Hades ser ‘lançado no lago de fogo’. (Revelação 20:14) O que significa isso? Significa que o Hades, a sepultura comum da humanidade, será totalmente destruído. Deixará de existir, sendo esvaziado por completo de seus mortos, pois, além de ressuscitar todos os adoradores fiéis de Jeová, Jesus, misericordiosamente, trará de volta até mesmo os injustos. A Palavra de Deus garante: “Há de haver uma ressurreição tanto de justos como de injustos.” — Atos 24:15.
14 Nenhum desses injustos será ressuscitado apenas para ser novamente condenado à morte. No ambiente justo que prevalecerá em toda a Terra sob o Reino de Deus, serão ajudados a harmonizar as suas vidas com os modos de Jeová. A visão mostrou que será aberto “o rolo da vida”. Assim, eles terão a oportunidade de ter seus nomes inscritos nele. Serão “julgados individualmente segundo as suas ações” praticadas depois de sua ressurreição. (Revelação 20:12, 13) Assim, do ponto de vista do resultado final, a ressurreição deles poderá ser “uma ressurreição de vida”, não inevitavelmente “uma ressurreição de julgamento [condenatório]”. — João 5:28, 29.
15 No entanto, nem todos os que já viveram serão ressuscitados. Alguns cometeram pecados que não podem ser perdoados. Esses não estão no Hades, mas sim na Geena, destruídos para sempre. Entre esses estarão também os que serão executados na “grande tribulação”, que se aproxima. (Mateus 12:31, 32; 23:33; 24:21, 22; 25:41, 46; 2 Tessalonicenses 1:6-9) Assim, embora Jeová demonstre extraordinária misericórdia em libertar os mortos do Hades, a esperança da ressurreição não é base para levarmos a vida agora com indiferença. Não serão ressuscitados os que de livre vontade se rebelam contra a soberania de Jeová. Esse conhecimento deve motivar-nos a mostrar que prezamos profundamente a bondade imerecida de Deus por vivermos em harmonia com a sua vontade.
Fortalecidos pela esperança da ressurreição
16 Os que aceitam a esperança da ressurreição podem derivar dela uma grande força. No presente, quando o fim de nossa vida se aproxima, sabemos que não podemos adiar a morte para sempre — independentemente do tratamento médico que se use. (Eclesiastes 8:8) Se tivermos servido com lealdade a Jeová, junto com a sua organização, podemos aguardar o futuro com plena confiança. Sabemos que, por meio da ressurreição, viveremos de novo, no tempo devido de Deus. E que vida será! A “verdadeira vida”, como o apóstolo Paulo a chamou. — 1 Timóteo 6:19; Hebreus 6:10-12.
17 Sabermos que há uma ressurreição e sabermos Quem é a fonte dessa provisão habilita-nos a ser fortes na fé. Isso nos fortalece para ser leais a Deus, mesmo sob ameaça de morte às mãos de perseguidores violentos. Satanás há muito usa o medo da morte prematura como meio de escravizar as pessoas. Mas Jesus não teve tal medo. Foi fiel a Jeová até a morte. E, por meio de seu sacrifício de resgate, Jesus supriu os meios para libertar outros desse medo. — Hebreus 2:14, 15.
18 Em resultado de sua fé, tanto na provisão do sacrifício de Cristo como na ressurreição, os servos de Jeová criaram uma notável reputação de integridade. Ao sofrerem pressão, eles mostram que ‘não amam a sua própria alma’ mais do que a Jeová. (Revelação 12:11) Sabiamente, não abandonam os princípios cristãos na tentativa de salvar a sua vida atual. (Lucas 9:24, 25) Sabem que, mesmo se perderem a vida agora por apoiarem lealmente a soberania de Jeová, ele os recompensará por meio da ressurreição. Tem você tal fé? Você a terá, se realmente amar a Jeová e prezar o que a esperança da ressurreição de fato significa.

O que aprendemos de Deus ter permitido a maldade


“OS DIAS dos anos da minha vida mostraram-se poucos e aflitivos”, disse o patriarca Jacó. (Gênesis 47:9) Similarmente, Jó declarou que o homem “é de vida curta e está empanturrado de agitação”. (Jó 14:1) Como eles, a maioria de nós já sofreu dificuldades, injustiças, até mesmo tragédias. No entanto, termos nascido não foi injustiça da parte de Deus. Não temos a perfeição mental e física nem o lar paradísico que Adão e Eva tiveram, é verdade. Mas que dizer se Jeová os tivesse executado assim que se rebelaram? Ao passo que desse modo não haveria doenças, tristezas, ou morte, também não haveria uma raça humana. Não teríamos nascido. Misericordiosamente, Deus concedeu tempo a Adão e Eva para terem filhos, ainda que estes herdassem a imperfeição. E, por meio de Cristo, Jeová tornou possível recuperarmos o que Adão perdeu — a vida eterna numa Terra paradísica. — João 10:10; Romanos 5:12.
2 Como é animadora a perspectiva de vivermos para sempre no ambiente paradísico do novo mundo, livres de doenças, tristezas, dores e morte, bem como de pessoas más! (Provérbios 2:21, 22; Revelação [Apocalipse] 21:4, 5) Mas do registro bíblico aprendemos que, embora a nossa salvação pessoal seja muito importante para nós e para Jeová, algo ainda mais significativo está envolvido.
Pela causa de seu grande nome
3 O nome de Deus está envolvido no cumprimento de Seu propósito para com a Terra e a humanidade. Esse nome, Jeová, significa “Ele Causa que Venha a Ser”. Assim, o seu nome reflete a Sua reputação de Soberano Universal, Idealizador e Cumpridor de propósitos e Deus da verdade. Devido à posição de Jeová, a paz e o bem-estar de todo o Universo dependem de se dar ao seu nome e ao que ele representa o pleno respeito que merecem e que todos Lhe sejam obedientes.
4 Após criar Adão e Eva, Jeová lhes confiou uma tarefa. Ele deixou claro que o seu propósito não era apenas subjugar a Terra inteira — estendendo assim os limites do Paraíso — mas povoá-la com os descendentes de Adão e Eva. (Gênesis 1:28) Será que esse propósito fracassaria por causa do pecado deles? Que vitupério seria para o nome do todo-poderoso Jeová se ele não conseguisse cumprir o seu propósito para com a Terra e a humanidade!
5 Jeová havia alertado Adão e Eva de que, se o desobedecessem e comessem da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, morreriam “no dia” em que comessem dela. (Gênesis 2:17) Fiel à sua palavra, Jeová pediu explicações a eles no mesmo dia em que pecaram e pronunciou a sentença de morte. Do ponto de vista de Deus, Adão e Eva morreram naquele dia. A fim de realizar o seu propósito para com a Terra, porém, Jeová lhes permitiu ter filhos antes de morrerem fisicamente. Não obstante, visto que Deus pode considerar 1.000 anos como um dia, quando a vida de Adão findou, aos 930 anos, estava dentro de um “dia”. (2 Pedro 3:8; Gênesis 5:3-5) Assim, a palavra de Jeová com respeito a quando a punição seria executada se confirmou, e a morte do casal não frustrou o propósito de Deus para com a Terra. Por algum tempo, porém, pessoas imperfeitas, incluindo pessoas más, têm recebido permissão de viver.
6 O que Jeová disse ao governante do Egito nos dias de Moisés também mostra por que Deus tem permitido a existência de pessoas más. Quando Faraó proibiu a partida dos filhos de Israel do Egito, Jeová não o eliminou imediatamente. O país foi atacado pelas Dez Pragas, demonstrando de maneiras espantosas o poder de Jeová. Ao advertir a respeito da sétima praga, Jeová disse a Faraó que ele e seu povo já poderiam ter sido facilmente eliminados da face da Terra. “Mas, de fato”, disse Jeová, “por esta razão te deixei em existência: para mostrar-te meu poder e para que meu nome seja declarado em toda a terra”. — Êxodo 9:15, 16.
7 Quando Jeová libertou os israelitas, seu nome realmente ficou bem conhecido. (Josué 2:1, 9-11) Hoje, uns 3.500 anos depois, o que ele fez naquele tempo não foi esquecido. O nome Jeová não só foi “declarado” mas também declarou-se a verdade a respeito do Portador do nome. Isso firmou a reputação de Jeová como Deus que cumpre o que promete e que age em favor de seus servos. (Josué 23:14) Demonstrou que, devido ao seu ilimitado poder, nada pode impedir a realização de seu propósito. (Isaías 14:24, 27) Portanto, podemos confiar que ele agirá em breve em favor de seus servos fiéis, destruindo todo o perverso sistema de Satanás. Tal demonstração de poder ilimitado, e a glória que isso trará ao nome de Jeová, jamais serão esquecidas. Os benefícios serão infindáveis. — Ezequiel 38:23; Revelação 19:1, 2.

A questão que todos temos de enfrentar


VOCÊ está envolvido na questão mais importante que a humanidade já enfrentou. A sua posição nesse assunto determinará seu futuro eterno. Essa questão surgiu quando irrompeu a rebelião no Éden. Naquela ocasião, Satanás perguntou a Eva: “É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?” Ela respondeu que, a respeito do fruto de certa árvore, Deus dissera: “Não deveis comer dele . . . para que não morrais.” Daí, Satanás acusou diretamente a Jeová de ser mentiroso, dizendo que nem a vida de Eva nem a de Adão dependiam da obediência a Deus. Satanás afirmou que Deus estava privando suas criaturas de algo bom — a capacidade de estabelecer os seus próprios padrões na vida. Satanás afirmou: “Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” — Gênesis 3:1-5.
2 Na verdade, Satanás estava dizendo que os humanos se sairiam melhor se tomassem as suas próprias decisões, em vez de obedecer às leis de Deus. Desse modo, ele desafiou a maneira de Deus governar. Isso levantou a questão primordial da soberania universal de Deus, isto é, o seu direito de governar. Suscitou-se a questão: O que é melhor para os humanos, a maneira de Jeová governar ou o governo independente dele? Ora, Jeová poderia ter executado Adão e Eva imediatamente, mas isso de forma alguma teria resolvido de maneira satisfatória a questão da soberania. Por deixar que a sociedade humana seguisse seu próprio caminho por um bom tempo, Deus poderia demonstrar exatamente o resultado de se agir de maneira independente dele e de suas leis.
3 O que aconteceu no Éden não pôs fim aos ataques de Satanás contra o direito de Jeová de governar. Ele questionou a lealdade de outros a Jeová. Isso se tornou uma intimamente relacionada questão secundária. Seu desafio se estendeu tanto aos descendentes de Adão e Eva como a todos os filhos espirituais de Deus, até mesmo ao profundamente amado Primogênito de Jeová. Nos dias de Jó, por exemplo, Satanás afirmou que os que servem a Jeová não o fazem por amor a Ele e ao seu modo de governar, mas sim por razões egoístas. Argumentou que, sob sofrimento, todos eles cederiam a desejos egoístas. — Jó 2:1-6; Revelação (Apocalipse) 12:10.
O que a História provou
4 Um ponto vital na questão da soberania é: Deus não criou os humanos para viverem de maneira independente de Seu governo e, ainda assim, ser bem-sucedidos. Para o benefício deles, ele os fez dependentes de Suas leis justas. O profeta Jeremias reconheceu: “Bem sei, ó Jeová, que não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo. Corrige-me, ó Jeová.” (Jeremias 10:23, 24) Assim, a Palavra de Deus exorta: “Confia em Jeová de todo o teu coração e não te estribes na tua própria compreensão.” (Provérbios 3:5) Assim como Deus fez os humanos sujeitos às Suas leis naturais, para permanecerem vivos, ele também fez leis morais que, se obedecidas, resultariam numa sociedade harmoniosa.
5 Obviamente, Deus sabia que a família humana jamais teria êxito em dirigir a si mesma sem o Seu governo. Numa tentativa vã de ser independente do governo de Deus, os humanos criaram diferentes sistemas políticos, econômicos e religiosos. Essas diferenças têm levado as pessoas a um constante conflito entre si, resultando em violência, guerras e mortes. “Homem tem dominado homem para seu prejuízo.” (Eclesiastes 8:9) É exatamente isso o que tem acontecido ao longo da história humana. Conforme predito na Palavra de Deus, homens iníquos e impostores continuam a ‘passar de mal a pior’. (2 Timóteo 3:13) E o século 20, que viu a humanidade fazer grandes avanços na ciência e na indústria, viu também as piores calamidades de todos os tempos. As palavras de Jeremias 10:23 têm sido comprovadas amplamente — os humanos não foram criados para dirigir os seus próprios passos.
6 As trágicas e persistentes conseqüências do modo de agir independente de Deus demonstram definitivamente que o governo humano jamais pode ser bem-sucedido. O governo de Deus é o único caminho para a felicidade, a união, a saúde e a vida. E a Palavra de Deus mostra que a tolerância de Jeová para com o independente governo humano se aproxima do fim. (Mateus 24:3-14; 2 Timóteo 3:1-5) Em breve, ele intervirá nos assuntos humanos para reivindicar seu domínio sobre a Terra. A profecia bíblica diz: “Nos dias daqueles reis [governos humanos atuais] o Deus do céu estabelecerá um reino [no céu] que jamais será arruinado. E o próprio reino não passará a qualquer outro povo [a Terra nunca mais será governada por humanos]. Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos [atuais], e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos.” — Daniel 2:44.
Sobrevivência para o novo mundo de Deus
7 Quando o governo de Deus acabar com os governos humanos, quem sobreviverá? A Bíblia responde: “Os retos [os que apóiam o direito de Deus de governar] são os que residirão na terra e os inculpes são os que remanescerão nela. Quanto aos iníquos [os que não apóiam o direito de Deus de governar], serão decepados da própria terra.” (Provérbios 2:21, 22) Similarmente, o salmista declarou: “Apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá . . . Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.” — Salmo 37:10, 29.
8 Depois da destruição do sistema de Satanás, Deus introduzirá Seu novo mundo, que acabará por completo com a devastadora violência, guerras, pobreza, sofrimento, doenças e morte que têm escravizado a humanidade por milhares de anos. A Bíblia descreve belamente as bênçãos à espera dos humanos obedientes: “[Deus] enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” (Revelação 21:3, 4) Por meio de seu celestial governo do Reino, exercido por Cristo, Deus vindicará (legitimará, ou confirmará) plenamente seu direito de ser nosso Soberano, isto é, nosso Governante. — Romanos 16:20; 2 Pedro 3:10-13; Revelação 20:1-6.
A posição que tomaram na questão
9 Ao longo da História, tem havido homens e mulheres de fé que provaram a sua lealdade a Jeová qual Soberano. Sabiam que a sua vida dependia de ouvir e obedecer a ele. Noé era um desses. Assim, Deus disse a ele: “Chegou o fim de toda a carne diante de mim . . . Faze para ti uma arca.” E Noé obedeceu às instruções de Jeová. Apesar de terem sido alertadas, outras pessoas daqueles dias levavam a vida como se nada de incomum fosse acontecer. Mas Noé construiu uma arca gigantesca e pregou zelosamente os caminhos justos de Jeová. O registro prossegue: “Noé passou a fazer segundo tudo o que Deus lhe mandara. Fez exatamente assim.” — Gênesis 6:13-22; Hebreus 11:7; 2 Pedro 2:5.
10 Abraão e Sara também foram excelentes exemplos de apoio à soberania de Jeová, fazendo tudo o que ele lhes ordenava. Eles moravam em Ur dos Caldeus, uma cidade próspera. Mas quando Jeová disse a Abraão que fosse a uma outra terra, que ele nem conhecia, Abraão “foi como Jeová lhe falara”. Sara sem dúvida havia tido um modo de vida confortável — com um lar, amigos e parentes. No entanto, ela era submissa a Jeová e a seu marido e foi para a terra de Canaã, embora não soubesse que condições a aguardavam ali. — Gênesis 11:31-12:4; Atos 7:2-4.
11 Moisés foi outro personagem que apoiou a soberania de Jeová. E fez isso sob as circunstâncias mais difíceis — em confrontos diretos com o Faraó do Egito. Não que Moisés fosse autoconfiante. Ao contrário, ele duvidava de sua capacidade de falar bem. Mas obedeceu a Jeová. Com o apoio de Jeová e a ajuda de seu irmão, Arão, Moisés repetidas vezes transmitiu as palavras de Jeová ao obstinado Faraó. Moisés foi criticado duramente até mesmo por alguns dos filhos de Israel. No entanto, ele fez lealmente tudo o que Jeová lhe ordenara e, por meio dele, Israel foi libertado do Egito. — Êxodo 7:6; 12:50, 51; Hebreus 11:24-27.
12 Os que foram leais a Jeová não achavam que bastava obedecer ao que Deus colocara por escrito. Quando a esposa de Potifar tentou seduzir José a ter relações adúlteras com ela, não havia mandamento escrito de Deus que proibisse o adultério. No entanto, José tinha conhecimento de como era a estrutura do casamento, que Jeová instituiu no Éden. Ele sabia que ter relações sexuais com a esposa de outro homem desagradaria a Deus. José não estava interessado em provar até que ponto Deus permitiria que ele fosse como os egípcios. Ele apoiou os caminhos de Jeová meditando nos tratos divinos com a humanidade e, então, aplicando conscienciosamente o que discernia ser a vontade de Deus. — Gênesis 39:7-12; Salmo 77:11, 12.
13 Mesmo se provados com severidade, os que realmente conhecem Jeová não se desviam dele. Satanás alegou que se Jó perdesse seus muitos bens ou a sua saúde, até mesmo ele — que havia sido elogiado por Jeová — abandonaria a Deus. Mas Jó provou que o Diabo é mentiroso, embora o próprio Jó não soubesse por que estava sendo vitimado pelas calamidades. (Jó 2:9, 10) Séculos depois, insistindo na sua alegação, Satanás fez com que um furioso rei de Babilônia ameaçasse três jovens hebreus com a morte numa fornalha, caso não se curvassem para adorar uma imagem erigida pelo rei. Obrigados a escolher entre obedecer à ordem do rei e obedecer à lei de Jeová contra a idolatria, eles demonstraram firmemente que serviam a Jeová e que ele era seu Soberano Supremo. Para eles, a fidelidade a Deus era mais preciosa do que a sua vida presente! — Daniel 3:14-18.
14 Deve-se concluir desses exemplos que, para ser leal a Jeová a pessoa precisa ser perfeita, ou que alguém que comete um erro falhou completamente? De modo algum! A Bíblia diz que houve ocasiões em que Moisés falhou. Embora isso desagradasse a Jeová, ele não o rejeitou. Os apóstolos de Jesus Cristo também tinham suas fraquezas. Levando em conta a nossa herança da imperfeição, Jeová se agradará se não desprezarmos deliberadamente a sua vontade em qualquer sentido. Se devido à fraqueza cometermos uma transgressão, é importante nos arrependermos com sinceridade e não fazer do erro uma prática. Assim demonstraremos que de fato amamos o que Jeová diz que é bom e odiamos o que ele mostra ser mau. À base de nossa fé no valor expiatório de pecados do sacrifício de Jesus, podemos ter uma posição limpa perante Deus. — Amós 5:15; Atos 3:19; Hebreus 9:14.
15 Não obstante, será que a obediência perfeita à soberania de Jeová simplesmente não é possível para os humanos? A resposta a isso permaneceu como “segredo sagrado” por uns 4.000 anos. (1 Timóteo 3:16) Adão, embora criado perfeito, não deu um exemplo perfeito de devoção piedosa. Assim, quem poderia dar? Certamente nenhum de seus descendentes pecaminosos. O único homem que fez isso foi Jesus Cristo. (Hebreus 4:15) O que Jesus fez provou que Adão, cujas circunstâncias eram mais favoráveis, poderia ter mantido integridade perfeita, se desejasse. A falha não estava na obra criativa de Deus. Jesus Cristo é, por conseguinte, o exemplo que procuramos imitar em demonstrar não apenas obediência à lei divina mas também devoção pessoal a Jeová, o Soberano Universal. — Deuteronômio 32:4, 5.
Qual é a nossa posição pessoal?
16 Cada um de nós hoje se confronta com a questão da soberania universal. Se tivermos declarado abertamente que estamos do lado de Jeová, Satanás fará de nós um alvo. Ele provoca pressões de todos os lados e continuará a fazer isso até o fim deste perverso sistema mundial. Não podemos baixar a guarda. (1 Pedro 5:8) Sob teste, a nossa conduta indica que posição tomamos na questão suprema da soberania de Jeová e na questão secundária da integridade a Deus. Não podemos encarar a conduta desleal como não sendo importante só porque é comum no mundo. Manter integridade exige que nos empenhemos em aplicar os justos caminhos de Jeová em todos os aspectos da vida.
17 Por exemplo, não podemos imitar Satanás, que é “o pai da mentira”. (João 8:44) Temos de ser sinceros em todos os nossos tratos. No sistema de Satanás, muitos jovens não são sinceros com seus pais. Mas os jovens cristãos evitam isso, provando assim ser falsa a acusação de Satanás de que o povo de Deus renunciaria à sua integridade sob teste. (Jó 1:9-11; Provérbios 6:16-19) Há também práticas comerciais que podem identificar a pessoa com “o pai da mentira”, em vez de com o Deus da verdade. Nós as evitamos. (Miquéias 6:11, 12) Além disso, o furto nunca é justificável, mesmo se a pessoa estiver em necessidade ou se aquele de quem se furta for rico. (Provérbios 6:30, 31; 1 Pedro 4:15) Mesmo se for uma prática comum onde moramos, ou se a coisa tomada for pequena, ainda assim furtar é contrário às leis de Deus. — Lucas 16:10; Romanos 12:2; Efésios 4:28.
18 Durante o Reinado Milenar de Cristo, Satanás e seus demônios estarão no abismo, impedidos de influenciar a humanidade. Que alívio isso será! Mas depois dos mil anos, eles serão soltos por um curto período. Satanás e os que o seguirem pressionarão os dentre a humanidade restaurada que estiverem sendo íntegros a Deus. (Revelação 20:7-10) Se tivermos o privilégio de estar vivos naquele tempo, como reagiremos diante da questão da soberania universal? Visto que então toda a humanidade será perfeita, qualquer ato de deslealdade será voluntário e resultará em destruição eterna. Como é vital cultivarmos agora o hábito de acatar qualquer instrução que Jeová nos dê, seja por meio de sua Palavra, seja por meio de sua organização! Por fazermos isso mostramos nossa genuína devoção a ele qual Soberano Universal.

Apegue-se firmemente à Palavra de Deus


“VÓS bem sabeis, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, que não falhou nem uma única de todas as boas palavras que Jeová, vosso Deus, vos falou. Todas elas se cumpriram para convosco.” (Josué 23:14-16) Essas palavras foram ditas por Josué aos anciãos de Israel, depois de se terem estabelecido na Terra Prometida. Sim, as promessas de Jeová mostraram ser fidedignas. Esse registro — e todo o restante da Bíblia — foi preservado para que “tivéssemos esperança”. — Romanos 15:4.
2 Embora fossem usados uns 40 homens para escrever a Bíblia, o seu Autor é o próprio Jeová. Significa isso que ele dirigiu ativamente toda a escrita? Sim. Fez isso por meio de seu poderoso espírito santo, sua força ativa. O apóstolo Paulo disse, corretamente: “Toda a Escritura é inspirada por Deus . . . a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.” Convencidas disso, pessoas em toda a parte acatam o que a Bíblia diz e vivem de acordo com os seus ensinos. — 2 Timóteo 3:16, 17; 1 Tessalonicenses 2:13.
Ajude outros a prezá-la
3 Muitas das pessoas com quem falamos não compartilham a nossa convicção de que a Bíblia é a Palavra de Deus. Como podemos ajudá-las? Muitas vezes, a melhor maneira é abrir a Bíblia e mostrar-lhes o que ela contém. “A palavra de Deus é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes . . . e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração.” (Hebreus 4:12) “A palavra de Deus” não é história morta; é viva! As promessas da Bíblia avançam irresistivelmente para o cumprimento. A influência da mensagem bíblica na genuína motivação de coração da pessoa é mais forte do que qualquer coisa que possamos dizer pessoalmente.
4 Ver o nome de Deus na Bíblia fez com que muitos a examinassem mais profundamente. Outros decidiram estudar a Bíblia quando se lhes mostrou o que ela diz a respeito do objetivo da vida, de por que Deus permite a maldade, do significado dos acontecimentos atuais ou da esperança de vida eterna numa Terra paradisíaca. Em países em que as práticas religiosas expõem as pessoas a ataques de espíritos iníquos, a explicação da Bíblia a respeito do motivo disso, e como obter alívio, suscita interesse. Por que esses pontos impressionam os sinceros? Porque a Bíblia é a única fonte de informações confiáveis a respeito desses assuntos vitais. — Salmo 119:130.
5 Mas que dizer se as pessoas afirmam que não crêem na Bíblia? Devia isso encerrar a conversa? Não se elas estiverem dispostas a ponderar. Talvez elas encarem a Bíblia como livro da cristandade. Os antecedentes de hipocrisia e de envolvimento político da cristandade, bem como sua constante solicitação de dinheiro, talvez contribuam para a aversão das pessoas à Bíblia. Por que não perguntar se esse é o caso? Mostrar como a Bíblia condena as atitudes mundanas da cristandade, e os contrastes entre a cristandade e o cristianismo verdadeiro, pode suscitar o interesse das pessoas. — Miquéias 3:11, 12; Mateus 15:7-9; Tiago 4:4.
6 Para outros, uma consideração objetiva das evidências de que a Bíblia é inspirada por Deus pode ser útil. O que para você é uma prova clara de que a Bíblia se origina de Jeová? É o que a própria Bíblia diz a respeito de sua origem? Ou é o fato de que a Bíblia contém numerosas profecias que refletem conhecimento detalhado do futuro, profecias que só podem ter vindo de uma fonte sobre-humana? (2 Pedro 1:20, 21) É talvez porque a Bíblia apresenta uma fantástica harmonia interna, embora tenha sido escrita por 40 homens num período de uns 1.600 anos? Ou é a sua exatidão científica, em contraste com outros escritos daqueles tempos? Ou a sinceridade de seus escritores? Ou ainda a sua preservação, apesar de esforços cruéis para destruí-la? O que quer que você pessoalmente tenha achado notável pode também ser usado para ajudar outros.
Nossa leitura da Bíblia
7 Além de ajudar outros a crer na Bíblia, nós mesmos devemos tirar tempo para lê-la regularmente. Está fazendo isso? De todos os livros já produzidos, esse é o mais importante. Naturalmente, isso não significa que se o lemos por conta própria, não precisamos de mais nada. As Escrituras nos alertam contra o isolar-se. Não devemos pensar que podemos descobrir tudo por meio de pesquisa independente. Tanto o estudo pessoal como a freqüência às reuniões do povo de Deus são indispensáveis para quem deseja ser um cristão equilibrado. — Provérbios 18:1; Hebreus 10:24, 25.
8 A respeito disso, a Bíblia fala de uma autoridade etíope que, numa certa ocasião, lia a profecia de Isaías. Um anjo encaminhou o evangelizador cristão Filipe a esse homem para perguntar-lhe: “[Entendes] realmente o que estás lendo?” Com humildade, o etíope respondeu: “Realmente, como é que eu posso, a menos que alguém me guie?” Ele rogou a Filipe que lhe explicasse o trecho das Escrituras em questão. Mas Filipe não era um mero leitor independente da Bíblia, que opinou a respeito das Escrituras. Ele mantinha contato íntimo com a organização visível de Deus. Assim, ele podia ajudar o etíope a beneficiar-se do ensino que Jeová fornecia por meio dessa organização. (Atos 6:5, 6; 8:5, 26-35) Também hoje, ninguém chega a entender corretamente os propósitos de Jeová por conta própria. Todos nós precisamos da ajuda que Jeová amorosamente dá por meio de sua organização visível.
9 Para nos ajudar a entender a Bíblia, a organização de Jeová fornece excelentes matérias bíblicas em várias publicações. Temos também um programa de leitura da Bíblia relacionado com a Escola do Ministério Teocrático, que funciona em todas as congregações das Testemunhas de Jeová no mundo. O exame pessoal das Escrituras Sagradas pode ser muito proveitoso. (Salmo 1:1-3; 19:7, 8) Empenhe-se em ler a Bíblia regularmente. Embora não seja possível entender tudo, ter uma idéia geral das Escrituras será de grande valor. Por exemplo, se você ler apenas quatro ou cinco páginas por dia, poderá completar a leitura da Bíblia inteira em mais ou menos um ano.
10 Quando poderá ler a Bíblia? Mesmo que você leia apenas 10 ou 15 minutos por dia, o proveito será grande. Se não puder, reserve pelo menos algum tempo cada semana, e daí apegue-se a isso. Se for casado, você e seu cônjuge poderão ler a Bíblia um para o outro, em voz alta. Se tiverem filhos que já saibam ler, poderão participar nessa leitura. Ler a Bíblia deve ser um hábito, assim como comer. Como sabe, quem se alimenta mal pode ficar doente. Da mesma forma, a nossa vida espiritual, e portanto a nossa vida eterna, dependem de nos alimentarmos regularmente de “cada pronunciação procedente da boca de Jeová”. — Mateus 4:4.
Nosso objetivo
11 Qual deve ser o nosso objetivo ao ler a Bíblia? Não deve ser simplesmente cobrir certo número de páginas. A nossa motivação deve ser conhecer melhor a Deus, para que aumentemos nosso amor a ele e o adoremos corretamente. (João 5:39-42) Devemos ter a mesma atitude do escritor bíblico, que disse: “Faze-me saber os teus próprios caminhos, ó Jeová; ensina-me as tuas próprias veredas.” — Salmo 25:4.
12 Ao recebermos os ensinamentos de Jeová, nosso desejo deve ser adquirir “conhecimento exato”. Sem ele, como poderíamos aplicar a Palavra de Deus corretamente na nossa vida ou explicá-la a outros? (Colossenses 3:10; 2 Timóteo 2:15) Adquirir conhecimento exato exige ler atentamente e, se um trecho for profundo, talvez seja preciso ler mais de uma vez, para captar o sentido. É proveitoso também tirar tempo para meditar na matéria, pensando nela sob vários pontos de vista. Quatro maneiras valiosas de raciocinar são apresentadas na página 30. Muitos trechos das Escrituras podem ser analisados proveitosamente usando um ou mais desses pontos de vista. Ao responder às perguntas nas páginas seguintes, verá como isso se dá.
(1) Em muitos casos, o trecho das Escrituras que você está lendo pode dizer-lhe algo sobre o tipo de pessoa que Jeová é. Por exemplo, o Salmo 139:13, 14 mostra o grande cuidado que Deus tem pelos que ainda não nasceram: “Mantiveste-me abrigado no ventre de minha mãe. Elogiar-te-ei porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante. Teus trabalhos são maravilhosos, de que minha alma está bem apercebida.” Como são maravilhosas as criações de Jeová! A maneira como os humanos são feitos atesta seu grande amor por nós.
Em vista do que diz João 14:9, 10, quando lemos sobre como Jesus tratava os outros, vemos realmente como o próprio Jeová agiria. Com isso em mente, o que podemos concluir a respeito de Jeová à base dos incidentes registrados em Lucas 5:12, 13 e Lucas 7:11-15?
(2) Considere como o relato contribui para o tema da Bíblia: a vindicação da soberania de Jeová e a santificação de seu nome pelo Reino sob Jesus Cristo, o prometido Descendente.
De que modo Ezequiel e Daniel enfatizaram o tema da Bíblia? (Ezequiel 38:21-23; Daniel 2:44; 4:17; 7:9-14)
Como a Bíblia identifica claramente a Jesus como o Descendente prometido? (Gálatas 3:16)
De que modo Revelação (Apocalipse) descreve o grande clímax do tema do Reino? (Revelação 11:15; 12:7-10; 17:16-18; 19:11-16; 20:1-3; 21:1-5)
(3) Pergunte a si mesmo como pode aplicar pessoalmente o que lê. Por exemplo, de Êxodo a Deuteronômio lemos a respeito da imoralidade e da rebeldia de Israel. Vimos que tais atitudes e ações trouxeram maus resultados. Assim, devemos ser movidos a agradar a Jeová por não imitar o mau exemplo de Israel. “Estas coisas lhes aconteciam como exemplos e foram escritas como aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas.” — 1 Coríntios 10:11.
Que lição para nós contém o relato sobre Caim ter matado Abel? (Gênesis 4:3-12; Hebreus 11:4; 1 João 3:10-15; 4:20, 21)
Será que os conselhos bíblicos aos cristãos que têm esperança celestial se aplicam também aos que esperam viver para sempre na Terra? (Números 15:16; João 10:16)
Embora gozemos de bom conceito na congregação cristã, por que devemos pensar em aplicar ainda melhor os conselhos bíblicos que já conhecemos? (2 Coríntios 13:5; 1 Tessalonicenses 4:1)
(4) Pense em maneiras de usar o que você lê para ajudar outros. Todos se preocupam com problemas de saúde; assim, podemos ler com eles o que Jesus fez para ilustrar o que fará em escala muito maior no seu Reino: “Aproximaram-se-lhe então grandes multidões, trazendo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros, . . . e ele os curava.” — Mateus 15:30.
Quem poderia ser ajudado pelo relato da ressurreição da filha de Jairo? (Lucas 8:41, 42, 49-56)
13 Como é recompensador ler a Bíblia quando consideramos os quatro pontos mencionados acima! Certamente, ler a Bíblia é um desafio. Mas isso pode nos beneficiar a vida inteira, pois a leitura das Escrituras nos fortalece espiritualmente. Ler a Bíblia com regularidade nos achegará mais ao nosso Pai amoroso, Jeová, e aos nossos irmãos cristãos. Será de ajuda para acatarmos o conselho de manter-nos ‘firmemente agarrados à palavra da vida’. — Filipenses 2:16.

Domingo, 15 de dezembro


Prega a palavra, ocupa-te nisso urgentemente, em época favorável, em época dificultosa, repreende, adverte, exorta, com toda a longanimidade e arte de ensino. — 2 Tim. 4:2.
A ordem de ‘nos ocupar urgentemente no ministério’ não visa tornar opressiva a nossa missão. Não obstante, a obra de pregação deve ser prioridade na nossa vida. O exemplo de um pequeno grupo de Estudantes da Bíblia, que antes de 1914 se propôs a pregar as boas novas, ilustra o que significa ter senso de urgência. Embora fossem apenas alguns milhares, eles entendiam a urgência dos tempos e entusiasticamente assumiram a obra de pregar o Reino. Publicavam sermões em centenas de jornais e apresentavam um espetáculo com slides coloridos e filmes chamado “Fotodrama da Criação”. Desse modo, eles alcançaram milhões de pessoas com as boas novas. Se eles não tivessem tido o senso de urgência, quantos de nós teríamos ouvido a mensagem do Reino? — Sal. 119:60. w12 15/3 2:9, 10

sábado, 14 de dezembro de 2013

Fonte e sustentador da vida


SERÁ que Jeová Deus, depois de ter provido o meio para homens e mulheres ficarem livres do pecado e da imperfeição, poderá depois mantê-los vivos? Há alguma garantia real de que aquele que toma a Jeová por seu Deus possa levar uma vida infindável com saúde e felicidade?
2 Em vista da capacidade criativa de Deus, ele certamente deve ter a capacidade de sustentar a própria terra. Se fosse necessário, poderia constantemente renovar a energia do sol. Quanto à terra, ele a tornou uma “nave espacial” auto-sustentadora, “reciclando” seus refugos e sempre renovando sua face. As florestas e os rios, deixados entregues a si mesmos, em pouco tempo se renovam e apagam quaisquer danos causados pelas obras ruinosas do homem.
3 Que dizer dos homens na terra? O Rei Salomão, grande observador da vida, declarou: “Uma geração vai e outra geração vem, mas a terra permanece por tempo indefinido.” (Eclesiastes 1:4; 1 Coríntios 7:31) Salomão não estava dizendo que seria sempre assim com as gerações humanas. Ele estava falando sobre a vaidade da vida, assim como ela é no atual sistema de coisas, em que “reina” a morte. Se ler o livro de Eclesiastes, notará que Salomão estava dando conselho sábio sobre a vida durante este tempo. Dizia basicamente que não devemos depositar nossa esperança no atual sistema mundial, nas suas coisas materiais e no seu proceder.
4 Depois de descrever a atual condição da humanidade, Salomão relatou o resultado de sua investigação, dizendo: “A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem.” (Eclesiastes 12:13) E Jesus, maior do que Salomão, explicou: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” — João 17:3.
5 Não será excelente quando puder associar-se com queridos amigos e parentes, sabendo que não terá de suportar a tristeza de perdê-los? É possível isso?
6 Não é somente possível — é inteiramente certo, porque “Jeová é verdadeiramente Deus. Ele é o Deus vivente e o Rei por tempo indefinido”. (Jeremias 10:10) Moisés, em oração, falou sobre a existência eterna de Deus, dizendo: “De tempo indefinido a tempo indefinido, tu és Deus.” (Salmo 90:2) Uma vez que Deus vive para sempre, ele pode iniciar a vida e mantê-la funcionando para sempre. A existência da humanidade, com as qualidades da imaginação, do apreço pela beleza, da benignidade, do amor e de outras emoções, prova que o homem tem um Criador vivente e que Este tem um bom propósito para com a humanidade. A emoção não teria nenhum lugar num mundo operado pelo acaso ou por forças cegas. Não, a vida precisa ter uma fonte vivente.
A “VIDA ESPONTÂNEA” É UMA FALÁCIA
7 Em 1864, Luís Pasteur, o famoso cientista a quem a medicina e a cirurgia devem muito, disse numa conferência na Sorbonne, famosa universidade parisiense:
8 “Cavalheiros, eu apontaria para aquele líquido [estéril] e lhes diria: Tirei minha gota de água da imensidão da criação e a tirei cheia dos elementos próprios para o desenvolvimento dos seres inferiores. E espero, vigio, questiono-a, rogo-lhe recomeçar para mim o belo espetáculo da primeira criação. Mas, está muda — muda desde que estas experiências foram começadas, há vários anos; está muda porque eu a mantive afastada da única coisa que o homem não pode produzir — dos germes que se alimentam no ar — da vida, porque a vida é um germe e o germe é vida. A doutrina da geração espontânea nunca se restabelecerá do golpe mortal desta simples experiência.”
9 Esta declaração foi feita há mais de cem anos atrás, e ainda é verídica hoje em dia. Os cientistas nunca puderam fazer com que a vida surgisse espontaneamente, de matéria que já não vivia. De fato, médicos, dentistas, cirurgiões e cientistas confiam na experiência de Pasteur — têm fé nela. Esterilizam seus hospitais e seus instrumentos cirúrgicos; pasteurizam o leite e esterilizam a água, a fim de que não haja germes que possam causar infeções ou estragos. Que adiantaria tal processo, se a vida pudesse originar-se num ambiente estéril? Quanto tempo continuaria o mundo a gastar milhões de cruzeiros com este processo, se fosse achado ineficaz e falível?
10 Por conseguinte, toda a evidência indica uma fonte da vida, que em si mesma vive. A Bíblia diz a respeito de Jeová Deus: “Contigo está a fonte da vida.” (Salmo 36:9) Alguém talvez pergunte: ‘Se precisa haver vida para gerar vida, então quem criou a Deus?’ Mas, isto significa apenas protelar a resposta ainda mais — uma forma de esquivar-se de encarar a questão. Tais pessoas, de modo incoerente, não parecem ter nenhuma dificuldade em crer que a matéria inanimada sempre tenha existido.
UM CRIADOR INFINITO
11 Certamente, não poderíamos esperar que o Criador do vasto universo fosse cabalmente entendido pelas suas criaturas. (Romanos 11:34) Não obstante, na ciência e na matemática existe pelo menos o conceito do “infinito”. Podemos imaginar o espaço infinito, e tanto quanto os astrônomos podem dizer, o universo pode ser infinito, ilimitado. Quanto mais os seus telescópios os habilitam a enxergar, tanto mais numerosas são as galáxias que vêem.
12 Daí, indo na outra direção, para o infinitesimamente pequeno, os físicos ainda não conseguiram encontrar a partícula derradeira. Quando o átomo foi descoberto, parecia ser simples: o átomo era a partícula indivisível, pensavam os cientistas. As experiências com o átomo, porém, mostraram que sua teoria era uma falácia. A lista de partículas ou supostas partículas que constituem o átomo já ficou bastante comprida, e ainda não está no fim.
13 Não podemos, então, conceber um Deus que não teve princípio — que sempre existiu? Isso é o que ele declara sobre si mesmo. (Deuteronômio 32:40; Romanos 16:26) Se aceitarmos esta afirmação de Deus, podemos crer que ele é capaz de infundir vida naqueles que lhe obedecem e de sustentar esta vida para sempre.
CICLOS DA TERRA EM BENEFÍCIO DO HOMEM
14 Alguns perguntam: ‘Que dizer do fato de que todas as coisas vivas tendem a deteriorar, que as células e os tecidos se decompõem, de modo que começa a velhice, culminando na morte? Não continuaria isso para sempre, com a vida humana?’ Vejamos.
15 Todas as coisas físicas, na terra, tendem a decompor-se com a idade. Rochas fragmentam-se. Madeira decompõe-se. Imagine, porém, como seria a situação se não houvesse o efeito do tempo sobre as rochas, a madeira e outro material, e se não houvesse decomposição da matéria orgânica. Isto significaria que a terra era estéril. Poucas ou nenhumas reações químicas ocorreriam. Nosso sistema digestivo não funcionaria corretamente, porque opera por meio de reações químicas e bacteriológicas, decompondo e transformando a composição dos alimentos. Far-se-ia pouco trabalho, porque poucas coisas poderiam ser alteradas na sua estrutura. Até mesmo agora, certos plásticos que não se decompõem facilmente causam um problema na eliminação do lixo.
16 Então, para que a vida terrena continue, precisa haver transformações na matéria orgânica e inorgânica. Os ciclos de nascimento e morte foram originalmente intencionados para toda coisa vivente na terra, com exceção da humanidade. Por que eximir a humanidade? Porque o homem foi feito à imagem e à semelhança de Deus. Apenas os humanos podem ser chamados “filhos” e “filhas” de Deus, não os animais. Não foi dos animais, mas sim do homem, que se disse que ‘a morte entrou por intermédio do pecado’. — Gênesis 1:27; Romanos 5:12.
17 Considere alguns destes ciclos. Existe a vida vegetal que provê alimento para toda a vida animal, e, de fato, é a base de toda a vida terrena. As plantas podem fazer algo que os animais não podem — podem produzir seu próprio alimento pelo uso da luz solar. Este processo é chamado de “fotossíntese”. A vida animal, portanto, depende da vida vegetal. As plantas precisam crescer, suprir alimentos e morrer. Daí, através da maravilha da germinação das sementes, produz-se outra safra.
18 No mar, a “cadeia de alimentos” mantém a vida em vários níveis; o pequeníssimo fitoplancto vegetal é alimento para o zooplancto animal, o qual, por sua vez, alimenta os peixes maiores, inclusive alguns dos que servem de alimento para o homem. Daí, a ação bacteriana converte matéria morta em alimento para o fitoplancto, e o ciclo começa outra vez.
19 No processo, os animais individuais morrem, sendo substituídos pela sua cria, preservando assim a espécie. Então, que esperança há duma continuada existência humana, individual? Há neste respeito qualquer diferença entre o homem e os animais?
20 Sim, há. Pois, embora as células e os tecidos nos corpos vivos se desgastem e algumas células morram, a vida tende a inverter este processo de “decomposição”. As coisas vivas produzem compostos altamente organizados e complexos, daqueles que são mais simples. Se fosse possível manter a força de vida operando em plena eficiência, os tecidos gastos seriam continuamente substituídos ou consertados. A velhice nem começaria e a pessoa nunca morreria. Apenas o Criador pode realizar isso nos homens. Ele promete vida eterna a homens e mulheres obedientes. Todos os ciclos da terra — entre eles o do nascimento e da morte das plantas e dos animais — na realidade foram providenciados primariamente para o derradeiro benefício da humanidade.
21 O registro bíblico revela que os homens foram feitos para viver muito mais do que os animais. Entre os primeiros descendentes de Adão, mais próximos da perfeição, houve quem vivesse tantos quantos 969 anos. Isto ilustra que a substituição das células continuou durante todos aqueles anos e que as células do sistema nervoso central (das quais os cientistas dizem que podem ser consertadas, mas não substituídas) foram mantidas em estado salutar durante séculos de vida. (Gênesis 5:27; veja também os versículos 5-31; 9:29.) As atuais gerações de vida curta, naturalmente, estão muito longe daquele tempo, tendo-se multiplicado o pecado e a imperfeição durante os milhares de anos desde então. A raça humana degenerou, mas Deus pode infundir poder naqueles que recorrem a ele, a fim de viverem por tempo indefinido. — Isaías 40:29-31.
“O PÃO DA VIDA”
22 Ora, muito antes de aparecer o homem na terra, os animais já morriam, conforme atestado pela descoberta de fósseis. Foram criados com uma duração limitada de vida. Mas a humanidade, embora constituída dos mesmos elementos, foi criada numa natureza muito mais excelente, de ordem superior.
23 Foi a respeito dos humanos, não dos animais, que se disse que Deus ‘pôs tempo indefinido no seu coração’. (Eclesiastes 3:11) Só os humanos têm senso do passado e do futuro. Apenas os humanos são capazes de ter espiritualidade, quer dizer, de assimilar conhecimento de Deus e compartilhar de Suas qualidades espirituais e da Sua excelência moral. (Hebreus 12:9) Visto que Deus proveu à humanidade esta capacidade espiritual, ela precisa ser usada e satisfeita, para o homem funcionar corretamente — para continuar vivo. Jesus disse: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual.” — Mateus 5:3.
24 Jesus Cristo, embora fosse homem perfeito na terra, dependia de Deus para manter a vida. Ele disse: “Meu alimento é eu fazer a vontade daquele que me enviou e terminar a sua obra [i. e., a de Deus].” Disse mais: “Vivo por causa do Pai.” (João 4:34; 6:57) Falou sobre si mesmo, dizendo: “Eu sou o pão da vida. Vossos antepassados comeram o maná no ermo, e, não obstante, morreram. . . . Se alguém comer deste pão, viverá para sempre.” — João 6:48-51.
25 Naturalmente, Jesus Cristo não queria dizer que os homens comeriam seu corpo literal de carne. Mas, por se exercer fé no sacrifício expiatório de Cristo e por se “comer” o alimento espiritual provido por Deus mediante Cristo, pode-se viver para sempre. Quando? Na “nova terra”, sob o Reinado de Cristo. Este, como Sumo Sacerdote, junto com seus reis e subsacerdotes associados, aplicará então plenamente seu sacrifício expiatório aos obedientes na terra. Em resultado disso, os corpos deles serão sarados. Daí, continuando a fazer a vontade de Deus, viverão para sempre. — João 3:16.
26 Jeová enviou seu Filho unigênito à terra com o maior custo para si mesmo. Nunca deixaria seu Filho sofrer e morrer, a fim de prover uma vida melhor, apenas para um curto período de tempo. Ele diz a todos: “Desvia-te do que é mau e faze o que é bom, e reside assim por tempo indefinido. Porque Jeová ama a justiça e ele não abandonará aqueles que lhe são leais. Hão de ser guardados por tempo indefinido.” (Salmo 37:27, 28) Sim, Jeová é a sustentadora Fonte da vida e o grandioso Guardião da vida para sempre, para todos os que continuarem obedientes a ele.

Deus vem em socorro da humanidade


JEOVÁ DEUS, em harmonia com a dignidade de seu governo universal, resolve problemas aparentemente impossíveis, de modo maravilhoso. E depois de vermos o resultado, dizemos: ‘Simplesmente não poderia ter sido feito de outra maneira, para ser tão cabal, justo e inteiramente bom.’ (Veja Isaías 55:9.) Portanto, conforme mostra a Bíblia, na própria ocasião em que se lançou o desafio à justeza de seu domínio, Deus revelou que viria em socorro da raça humana, ao anunciar: “Ele [o descendente] te machucará a cabeça [i. e., Satanás].” (Gênesis 3:15) Com o passar do tempo, Deus deixaria os homens ver a elaboração de seu propósito.
2 Quem, em especial, seria designado por Deus para ser o “descendente”, para finalmente esmagar a cabeça de Satanás? O Filho unigênito de Jeová! Este foi escolhido como aquele que serviria para a solução primária da questão a respeito do mérito e da justiça do governo ou da soberania de Jeová. Por que este grandioso, tão achegado ao coração de Jeová? Ora, quando Satanás lançou o seu desafio, isso pôs em dúvida a lealdade de todas as pessoas no universo, até a deste Filho de Deus. Além disso, a questão da lealdade o enfocaria mais do que a qualquer outra das criaturas de Deus, porque era o Filho principal de Jeová, o mais próximo a Ele no universo. Havia sido colaborador de Deus em fazer o universo. (Colossenses 1:15-17) O desafiador de Deus poderia dizer: ‘Se há quem seria fiel em servir a Deus, dentre todas as criaturas, seria ele.’ Portanto, o desafio de Satanás colocou este poderoso Filho de Deus nas luzes da ribalta.
3 Outrossim, em Provérbios, capítulo oito, este Filho, personificado como a sabedoria, falando da obra criativa de Deus, diz: “As coisas de que eu gostava estavam com os filhos dos homens.” (Vers. 31) Ele amava profundamente a humanidade. Aceitou de bom grado esta tarefa de vindicar seu Pai, primeiro em lealdade a Ele, e, além disso, por amor à humanidade.
4 Agora, no amor que Jeová Deus tem à humanidade, pode ele tolerar a iniqüidade que Satanás, junto com Adão, introduziram no universo? Pode Deus dizer a qualquer pessoa pecadora: ‘Ora, gosto de você e quero mostrar-lhe misericórdia, de modo que simplesmente não vou fazer caso de seu pecado’? Em harmonia com sua justiça e eqüidade, ele não pode desconsiderar o pecado e não fazer caso dele. Se fizesse isso, minaria o alicerce de seu governo. — Salmo 89:14.
5 Temos um exemplo do resultado de se ser “mole” com a violação da lei, e, em efeito, tolerá-la, em algumas das nações da terra, hoje em dia. Em muitos casos, elas foram relapsas e não zelosas em atuar contra os transgressores. Deixaram os criminosos andar soltos. O resultado é que as pessoas perdem a fé nos governos e tudo entra finalmente em colapso. O Governante Universal não permitirá que isto aconteça com as suas leis.
6 Por conseguinte, Jeová, o Soberano Universal, na sua responsabilidade de defender a lei e a ordem no universo, não pode fazer pouco caso do pecado. “De Deus não se mofa.” (Gálatas 6:7) Em Habacuque 1:13, o profeta diz a Jeová: “És de olhos puros demais para ver o que é mau; e não podes olhar para a desgraça. Por que olhas para os que agem traiçoeiramente?” Apenas por um bom motivo e por um tempo relativamente curto ele tem permitido a transgressão. Na realidade, a decisão de Deus, neste respeito, é a única maneira em que ele pode genuinamente ajudar a humanidade.
UM PROBLEMA JURÍDICO
7 Adão vendera sua descendência futura à escravidão ao pecado e à morte, sem o consentimento dela. O preço que recebeu por esta “venda” foi ele fazer em egoísmo o que queria, rebelando-se contra Deus. (Romanos 7:14) A incapacidade do homem, de se livrar da escravização à morte, é expressa no Salmo quarenta e nove, versículos seis a nove: “Aqueles que confiam nos seus meios de subsistência e que se jactam da abundância das suas riquezas, nenhum deles pode de modo algum remir até mesmo um irmão, nem dar a Deus um resgate por ele, (e o preço de redenção da alma deles é tão precioso, que cessou por tempo indefinido,) que ele ainda assim viva para sempre e não veja a cova.” O preço era precioso demais, elevado demais, além do alcance de toda a humanidade. No que se referia à capacidade do homem imperfeito, o alívio estava tão afastado como “por tempo indefinido”, na realidade, além de qualquer esperança. Portanto, se o homem havia de ser liberto, Deus tinha de agir para fazer provisões. — Veja o Salmo 79:9.
8 Para Deus poder ter tratos com aqueles que nasceram em pecado, embora não fosse por culpa deles mesmos, ele tinha de ter uma base jurídica para lidar com eles. (Salmo 51:5; Romanos 5:12) De outro modo, todos os homens teriam de morrer para sempre, visto que a lei de Deus exigia que os pecadores fossem eliminados do universo. Apenas o sacrifício de outro homem, perfeito, como preço “precioso”, podia comprar de volta aquilo que Adão perdera. — 1 Timóteo 2:5, 6.
9 Por conseguinte, Jeová precisava de alguém — cujo sacrifício podia constituir a base jurídica — por intermédio de quem pudesse atuar. Assim como um governo humano não pode corretamente negociar com criminosos, assim Jeová Deus não podia lidar diretamente com pessoas pecaminosas e ainda manter a dignidade e justiça de seu governo.
10 Por lançar esta base jurídica, Jeová poderia demonstrar a justeza de seu governo universal, mostrando também a extrema maldade do pecado. Ao mesmo tempo podia mostrar misericórdia aos homens. O apóstolo Paulo expressou isso do seguinte modo:
11 “Pois todos pecaram e não atingem a glória de Deus, e é como dádiva gratuita que estão sendo declarados justos pela benignidade imerecida dele, por intermédio do livramento pelo resgate pago por Cristo Jesus. Deus o apresentou como oferta de propiciação por intermédio da fé no seu sangue. Isto se deu, a fim de exibir a sua própria justiça, porque ele estava perdoando os pecados que ocorreram no passado, enquanto Deus exercia indulgência; a fim de exibir a sua própria justiça nesta época atual, para que fosse justo, mesmo ao declarar justo o homem que tem fé em Jesus.” — Romanos 3:23-26.
12 Poderíamos ilustrar, com a vida cotidiana, a razoabilidade e legalidade dos tratos de Deus. Digamos que um homem, dono-de-casa, tenha uma família reta, pura e obediente. Ele sabe de um jovem, na cadeia, sentenciado com uma grande multa, por uma transgressão que cometeu. Este jovem estivera em má companhia e aprendera o proceder mau. Todavia, o homem acha que pode ajudar o preso e finalmente reabilitá-lo. Em justiça para consigo mesmo e para com sua família pura e respeitável, não pode trazê-lo logo à sua casa e fazer sua família associar-se com o jovem, naquelas condições. Então, o que pode fazer para ajudá-lo?
13 O homem poderia fazer com que um amigo pagasse a multa, o que satisfaria a sentença do tribunal contra o preso, e conseguisse que o tribunal lhe concedesse a custódia dele. Depois da devida instrução e disciplina do jovem, o amigo poderia entregá-lo ao dono-de-casa, numa condição reabilitada, para que pudesse ser aceito como membro puro e respeitável da casa. Assim se satisfariam plenamente todas as exigências legais. O dono-de-casa teria sido inteiramente justo e eqüitativo nos seus tratos, e teria havido misericórdia para com o jovem.
14 Na realidade, Deus trata com a família humana por meio de seu Filho, Jesus Cristo, que age como representante de Jeová no assunto. Os que obedecem ao arranjo de Deus passam a ter uma situação legal perante Ele. São remidos e reconciliados ou trazidos à harmonia com Deus. (Colossenses 1:13, 14, 20) Chegam a ter com ele uma relação pessoal e podem chamá-lo de “Pai”. — Mateus 6:9.
O FILHO DE DEUS VEM À TERRA
15 Por isso, enviou-se o Filho de Deus para a terra, a fim de ele se tornar humano, nascido de mulher. Podia servir para a prova de integridade aqui na terra, onde se suscitara a questão. Podia também ser o preço de resgate para a humanidade. Mediante o nascimento milagroso por meio da virgem Maria, ele se tornou filho humano de Deus. — Gálatas 4:4.
16 Este filho nasceu duma mulher imperfeita, mas ele mesmo era perfeito e imaculado. Sua vida perfeita foi transferida do domínio celestial, espiritual para o ventre de Maria. O anjo Gabriel havia anunciado a Maria: “Espírito santo virá sobre ti e poder do Altíssimo te encobrirá. Por esta razão, também, o nascido será chamado santo, Filho de Deus.” (Lucas 1:35) O espírito santo de Deus colocou um muro de poder invisível em volta de Maria, para que Jesus Cristo nascesse como bebê perfeito. Satanás, o Diabo, naturalmente, teria desejado destruir ou prejudicar este Filho antes de ele nascer, se fosse possível. Veja as suas tentativas posteriores de matar Jesus, conforme reveladas em Mateus 2:7-16 e Lucas 4:28-30.
17 Jesus, em toda a sua vida humana, permaneceu neste estado perfeito. Era “leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores”. (Hebreus 7:26) O proceder de Jesus na vida, na terra, resolveu a questão da integridade a Deus, além de qualquer dúvida, de modo perfeito e completo. Ele disse, antes de sua morte sacrificial: “O governante do mundo está chegando. E ele não tem nenhum poder sobre mim”, e: “Agora há um julgamento deste mundo; agora será lançado fora o governante deste mundo [o Diabo].” (João 14:30; 12:31; 2 Coríntios 4:4) Satanás nunca conseguiu fazer Jesus Cristo ceder sob pressão, e por isso não tinha nenhum poder sobre Jesus, nenhuma acusação válida que pudesse lançar contra Jesus. Jesus havia ‘vencido o mundo’, por negar-se a se entregar ao pecado. — João 16:33; 8:46.
18 O apóstolo Paulo declarou a respeito de Jesus: “Aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu; e, depois de ter sido aperfeiçoado, tornou-se responsável pela salvação eterna de todos os que lhe obedecem.” (Hebreus 5:8, 9) Portanto, foi pelo próprio mérito de Cristo, que Deus o declarou justo, no fim de sua carreira terrena. Ele foi ressuscitado à vida no espírito, “declarado justo em espírito”. (1 Timóteo 3:16) Foi qualificado e empossado no céu como Sumo Sacerdote perfeito em benefício da humanidade. Deus não precisou conceder a Cristo a justiça como dádiva, porque este, como homem sem pecado, tanto tivera como retivera uma condição justa perante Deus, do começo ao fim. Por este motivo, o sacrifício de Jesus era perfeito e podia servir como base para outros homens serem declarados justos. Quando outros são declarados justos, não é à base de sua própria justiça, mas à base do sacrifício expiatório de Jesus Cristo. No caso deles, é deveras uma dádiva que recebem. — Romanos 5:17.
19 Por causa deste proceder fiel, Jesus estava habilitado a se tornar defensor de todos aqueles que desejam servir a Deus. O apóstolo João escreveu: “Se alguém cometer pecado, temos um ajudador [ou: defensor] junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo. E ele é um sacrifício propiciatório [que cobre] pelos nossos pecados.” (1 João 2:1, 2) Ele é também chamado “mediador entre Deus e os homens”. (1 Timóteo 2:5) O Diabo tem tentado achar falta nos servos de Deus desde o tempo de Abel, filho de Adão. Satanás é chamado “o acusador dos nossos irmãos, o qual os acusa dia e noite perante o nosso Deus”. — Revelação (Apocalipse) 12:10.
20 Portanto, na disputa jurídica, Jesus Cristo tem comparecido perante Deus como advogado. Quando os servos fiéis de Deus têm feito um engano, cometido um pecado, Jesus tem apresentado perante Deus, o Juiz, a evidência de que eles não merecem morrer — que seu sacrifício propiciatório cobre os enganos e pecados deles. Tem mostrado que a intenção deles era fazer o que é direito, mesmo em face de sua imperfeição. (Romanos 7:15-19) Tem trazido à atenção os seus atos de fé e que invocam a Deus em verdadeiro arrependimento, quando pecam. (Hebreus 6:10) Fazem isso à base do sacrifício de Jesus. (João 16:23) E Deus aceita a intercessão de Jesus por eles.
COMO JESUS OBTÉM “FILHOS”
21 Quando Jesus estava na terra, como homem, ele tinha o poder de ter filhos próprios, por meios humanos, naturais. Não produziu tais filhos, mas renunciou a este potencial no seu sacrifício. Conforme disse: “O Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” (Mateus 20:28) Jesus tornou-se assim o “último Adão”. Adão produziu filhos, imperfeitos, com tendências más. Jesus Cristo produz filhos que alcançam a justiça. As pessoas podem transferir-se da família de Adão e ser regeneradas por meio da justiça de Jesus Cristo, e, revestindo-se da nova personalidade, podem vir a ser ‘à sua imagem’. Podem ser purificadas como filhos do “último Adão”. — 1 Coríntios 15:45, 49.
22 O profeta Isaías, por inspiração, descreveu alguns dos sofrimentos de Cristo e disse, falando a Jeová: “Se puseres a sua alma como oferta pela culpa, ele verá a sua descendência.” (Isaías 53:10) Cristo não obtém descendência pelo método natural. Mas, como o “Pai Eterno”, produz filhos com as suas próprias tendências, na maneira descrita por Isaías, porque Jeová ‘pôs a sua alma como oferta pela culpa’ para a humanidade. (Isaías 9:6) Precisamos ter em mente, porém, que Jesus Cristo, depois de os levar à perfeição humana, entrega a humanidade comprada e reabilitada a Jeová Deus, o “Pai, a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome”. — Efésios 3:14, 15; 1 Coríntios 15:26, 28.
O RESGATE NEUTRALIZA O PECADO
23 Resumindo a questão, podemos dizer que o resgate provido por meio do Filho de Deus neutraliza o pecado de Adão. O pecado de Adão derrubou a todos. O resgate, naturalmente, não salva toda e qualquer alma humana, mas neutraliza os efeitos do pecado inerente em nós. Como? Toda alma que quiser ficar livre do pecado e da imperfeição pode conseguir que estes sejam apagados e que ela se torne totalmente limpa. Até mesmo os ressuscitados dentre os mortos terão a oportunidade de se aproveitar do resgate. (Atos 24:15) Os que não obterão a vida serão aqueles que não querem que Jeová os governe. Não amam a justiça, nem odeiam o que é contra a lei. Condenam a si mesmos, acrescentando o seu próprio pecado deliberado ao pecado que herdaram. — João 3:17-21, 36.
24 Portanto, o sacrifício expiatório de Cristo, administrado pelo governo de seu Reino, eliminará completamente aquilo que Adão fez. O último inimigo, a morte (a morte trazida à humanidade pelo pecado de Adão), será reduzida a nada. Quando a morte tiver sido eliminada, então não existirá mais nada de tudo o que Adão fez — tudo o que ele causou à raça humana. Não sobrará absolutamente nada para mostrar o pecado de Adão. (1 Coríntios 15:26, 55-57) E não sobrará nada para mostrar o pecado do Diabo, porque, conforme diz a Bíblia: “Com este objetivo foi manifestado o de Deus, a saber, para desfazer as obras do Diabo.” (1 João 3:8) Satanás terá completamente desperdiçado seu esforço e perdido a vida. A sombra lançada sobre o nome de Deus será totalmente apagada. O nome de Deus será plenamente vindicado, por toda a eternidade, e aqueles que querem Sua soberania existirão aqui, vivos, para o louvor dele. — Salmo 150.
25 Quanta benevolência de Deus! E quanto amor da parte do Senhor Jesus Cristo! Podemos dizer, junto com o apóstolo: “Ó profundidade das riquezas, e da sabedoria, e do conhecimento de Deus! Quão inescrutáveis são os seus julgamentos e além de pesquisa são os seus caminhos!” (Romanos 11:33) Não importa o que o mundo faça para causar dúvidas e atacar nossa fé, por termos verdadeiro apreço destas coisas, podemos exclamar: “Tal Deus merece plenamente nossa inteira devoção e serviço!’ — Veja Filipenses 3:8, 9.
[Perguntas de Estudo]

Por que permitiu Deus o sofrimento na terra?


A EVIDÊNCIA científica e a Bíblia atestam que todos os humanos descendem de um único casal original. Daí, após o Dilúvio, formaram-se três ramos principais da família humana, da descendência dos três filhos de Noé. — Gênesis 3:20; 9:18, 19.
2 O apóstolo Paulo disse: “[Deus] fez de um só homem toda nação dos homens, para morarem sobre a superfície inteira da terra.” (Atos 17:26) Este homem Adão e sua esposa Eva foram criados perfeitos, assim como todas as obras de Deus. — Deuteronômio 32:4; Gênesis 2:18, 21-23.
3 Adão era filho de Deus, pleno membro da família de Deus, feito apenas um pouco inferior aos anjos. (Lucas 3:38) Os anjos são criaturas espirituais, maiores em poder e capacidade do que os homens. (2 Pedro 2:11) Mas, em parte alguma diz a Bíblia que os anjos têm maior capacidade moral. Quando Jesus Cristo era homem na terra, nascido de mulher, sua integridade moral era igual àquela de qualquer outro da família universal de Deus, no céu e na terra. — Salmo 8:4, 5; Hebreus 2:6-9; 7:26.
4 Então, como foi que a imperfeição e suas acompanhantes dificuldades, doenças e lutas vieram a ser a sorte da raça humana? A Bíblia explica que, sem culpa própria, todos os humanos, desde Adão e Eva, nasceram com imperfeições. Ela declara: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” — Romanos 5:12.
5 Segundo as leis da genética, os filhos herdam as tendências e as características, bem como os defeitos, de seus pais. Mas, como foi que o perfeito Adão se tornou deficiente, imperfeito e pecador? Por que se permitiram desde então as dificuldades e o sofrimento?
A SITUAÇÃO EXCELENTE DE ADÃO
6 Adão foi criado à imagem e semelhança de Deus. (Gênesis 1:26) Isto significa que ele possuía qualidades morais e era capaz de ter espiritualidade. Podia saber e aprender sobre Deus, e podia ter uma relação filial com Deus. Tinha a faculdade de raciocínio e a de consciência — o senso do que é certo e do que é errado. Adão era capaz de representar a Deus na terra, refletindo a glória de Deus  — seus belos atributos — perante aqueles que haviam de nascer.
7 Deus estava em comunicação com Adão, possivelmente cada dia. De acordo com Gênesis 3:8, foi “por volta da viração do dia” que Adão e Eva “ouviram a voz de Jeová Deus” A referência a um período específico durante o dia sugere que esta talvez fosse a hora costumeira de Deus se comunicar com o homem. Sim, o Altíssimo tomava tempo para instruir Adão, como novato na terra. (Gênesis 1:28-30) Este primeiro homem precisava da ajuda e da instrução de Deus, para poder exercer o devido domínio sobre a criação inferior. Adão possuía plena capacidade para desenvolvimento espiritual e para cultivar amor. Podia aumentar em apreço e em amor pelo seu Criador, ao progredir no saber. (1 João 4:7, 8) Podia estabelecer uma relação ainda mais íntima com Ele.
8 A Bíblia não diz por quanto tempo Deus se ocupou em dar instruções ao seu filho. Mas, era essencial que Adão aprendesse, entre as primeiras coisas, sobre a vida vegetal e a vida animal, visto que devia ser cultivador perito e instrutor de seus filhos na arte de jardinagem e de tratar dos animais domésticos. (Gênesis 2:15, 19) É evidente que isto podia levar algum tempo.
9 Adão morava no lar ajardinado, edênico, que Deus fizera para ele. Esse era provavelmente uma grande região, que Adão podia percorrer. De modo que Adão podia observar os animais no seu habitat, de qualquer modo que Deus lhe facilitasse isso. Adão podia então dar-lhes nomes, segundo as suas tendências e caraterísticas. Não havia necessidade de pressa. — Gênesis 2:8, 19, 20.
10 Embora Adão pudesse solucionar problemas que surgissem dentro do alcance de seu conhecimento, teria de recorrer a Deus como Projetista e Diretor quanto a como ‘sujeitar a terra’. O solo inculto, fora do jardim do Éden, teria de ser transformado num “lar” para bilhões de pessoas que ainda viriam. E assim como o construtor segue a planta do arquiteto, assim o homem teria de seguir fielmente a orientação sábia de Deus, a fim de dar beleza à terra e para o maior conforto e usufruto da raça humana. — Lucas 16:10.
11 Como se saiu Adão quanto às coisas com que Deus o abençoara? Por um tempo, saiu-se bem, instruindo sua esposa sobre o que havia aprendido de Deus. (Compare Gênesis 2:16, 17, com Gênesis 3:2, 3.) Por Jeová ser seu Criador, ele era seu Deus. A fim de continuarem a manter a relação correta com Deus, Adão e Eva precisavam estribar-se nele e obedecer-lhe como sendo o Governante Soberano. Ao passo que aumentasse sua família, para cobrir a terra, a sujeição ao governo de Deus seria essencial, para haver ordem e harmonia. Adão e Eva podiam instruir e educar seus filhos, a fim de que estes, por sua vez, pudessem dar glória a Deus.
‘A ÁRVORE DO CONHECIMENTO’
12 Deus dissera a Adão que podia comer livremente de toda árvore do jardim, exceto da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. (Gênesis 2:17) A este casal e seus descendentes apresentava-se a vida eterna, condicionada apenas pela sua obediência. Seria uma desgraça para toda a família de Deus, no céu e na terra, se Adão fosse tão desrespeitoso, ao ponto de desobedecer a Deus.
13 Deus dera a Adão tudo para o usufruto dele. O próprio Adão não fizera com que a terra produzisse as boas coisas para comer. Não foi ele quem criou a sua bela companheira, Eva. Não foi ele quem fez o seu próprio corpo, com as faculdades que o habilitavam a usufruir as coisas que possuía. Mas, embora Adão amasse e usufruísse a bela vida que se lhe concedera bondosamente, não continuou no proceder obediente.
14 Por fim, Adão passou a colocar seus supostos interesses acima daqueles de seu Pai celestial. Achava mais importantes os seus desejos imediatos, do que a família de Deus e os descendentes que havia de ter. Até mesmo homens imperfeitos desprezam alguém que trai a sua família ou que vende os seus próprios filhos em escravidão e morte. E isto foi o que Adão fez. — Romanos 7:14.
15 Em que consistia o pecado de Adão? Relacionava-se com a “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. Tem havido muita conjetura sobre esta árvore. Era mesmo uma árvore? Qual era o “conhecimento” e ‘o que é bom e o que é mau’? Por que colocaria Deus tal árvore no jardim?
16 A Bíblia indica que a árvore era real, falando dela como sendo uma das árvores frutíferas do jardim. (Gênesis 2:9) Qual era o “conhecimento” representado pela árvore? A versão católica, em inglês, da Bíblia de Jerusalém faz um comentário pertinente, numa nota ao pé da página, sobre Gênesis 2:17:
17 “Este conhecimento é um privilégio que Deus reserva para si mesmo e de que o homem se apodera por pecar, [Gênesis] 3:5, 22. Por isso, não significa onisciência, que o homem decaído não possui; nem é discriminação moral, porque o homem, antes de cair, já a possuía e Deus não a podia negar a um ser racional. É o poder de decidir por si mesmo o que é bom e o que é mau, e de agir de acordo, uma reivindicação de completa independência moral, pela qual o homem se nega a reconhecer sua condição de ser criado. O primeiro pecado foi um ataque contra a soberania de Deus, um pecado de orgulho.”
18 A árvore simbolizava, na realidade, a fronteira — a linha de demarcação — ou o limite do devido domínio do homem. Era certo e correto, sim, era essencial que Deus informasse Adão sobre esta fronteira. Comer o homem perfeito daquela árvore exigiria o consentimento deliberado de sua vontade indicaria a decisão feita de antemão, de que se retirava da sujeição ao governo de Deus, para seguir seu próprio caminho, fazendo “o que é bom” ou “o que é mau”, segundo as suas próprias decisões.
DESAFIADA A SOBERANIA DE DEUS
19 De modo que o homem seguiu um caminho independente de Deus. Deus não interferiu no livre-arbítrio de Adão. Mas a escolha errada de Adão trouxe sobre ele e seus filhos toda espécie de problemas difíceis e humanamente insolúveis. — Romanos 1:28.
20 Além disso, havia mais envolvido na questão do que apenas a rebelião de Adão e sua esposa. A rebelião do filho terreno de Deus suscitou a pergunta: Haveria alguém, na família terrena de Deus, o qual, usando de livre-arbítrio, escolheria ser leal ao governo de Deus, e permaneceria ele leal a Deus sob pressão ou sob a tentação de ganhar algo para si, por meio da desobediência? Assim, a integridade e a fidelidade de cada homem e mulher, a serem trazidos a existência, ficariam em dúvida na mente de todas as criaturas de Deus, no céu e na terra.
21 Esta questão, porém, era subsidiária ou secundária a uma muito maior — o desafio a respeito da legitimidade da soberania ou do governo de Deus — conforme ilustrado por acontecimentos ocorridos uns 2.500 anos mais tarde. Uma ilustração da questão envolvida é encontrada no que aconteceu na vida real com o homem Jó cujo registro foi preservado para nosso benefício.
22 O livro de Jó revela que um anjo celestial de Deus lançou o desafio. Compareceu perante o Altíssimo, acusando com insolência o servo devotado de Deus, Jó e dizendo que a lealdade deste a Deus baseava-se exclusivamente no egoísmo. Deus permitiu que este filho espiritual submetesse Jó a uma prova de grande adversidade. Embora Jó se mostrasse fiel sob prova, o rebelde ainda o acusou de ter mau coração. Jeová disse-lhe: “Fixaste teu coração no meu servo Jó que não há ninguém igual a ele na terra, homem inculpe e reto, temendo a Deus e desviando-se do mal? Ele ainda se agarra à sua integridade [irrepreensibilidade, fidelidade a Deus], embora me instigues contra ele para tragá-lo sem causa.” O anjo respondeu: “Pele por pele, e tudo o que o homem tem dará pela sua alma. Ao invés disso, estende agora tua mão, por favor, e toca-lhe até o osso e a carne, e vê se não te amaldiçoará na tua própria face.” — Jó 2:2-5.
23 Deus deixou que Jó fosse provado, sabendo que permaneceria fiel. E Jó realmente não saiu perdendo por sofrer por um pouco. Pois, no fim da prova, Deus recompensou Jó muito além do que usufruía antes disso, dando-lhe inclusive mais 140 anos de vida. — Jó 42:12-16; veja Hebreus 11:6.
24 Este vislumbre dum acontecimento invisível no céu ajuda-nos a entender a questão real quanto a por que Deus permitiu o mal. O anjo desafiador, conhecido como Satanás, o Diabo, foi realmente quem instigou a rebelião. Não obstante, o primeiro casal humano, que tomou o lado de Satanás, quando ele começou a lançar o desafio, estava deliberadamente culpado, sem desculpa.
25 Deus havia dado a Adão todas as instruções e oportunidades necessárias, a fim de que estivesse plenamente preparado para permanecer leal a Deus, porque Deus nunca deixaria um servo Seu exposto a um ataque contra o qual não tivesse defesa. (1 Coríntios 10:13) Por conseguinte, Adão, com perfeita liberdade de exercer a sua vontade, podia ter permanecido firme e demonstrado lealdade e fidelidade. Não havia nenhum fator além de seu controle, para fazê-lo pecar, como se dá hoje no caso da humanidade imperfeita. O pecado dele era inteiramente proposital e deliberado.
26 Contudo, o adversário de Deus, o rebelde filho espiritual, procurou uma oportunidade para iniciar uma rebelião no universo. Quis usar Adão e Eva como instrumentos para lançar seu desafio ao governo de Deus. A narrativa bíblica nos conta como ele atacou primeiro a mulher. Satanás estava confiante em que, tendo vencido Eva, poderia exercer maior pressão sobre Adão.
REBELIÃO CONTRA DEUS
27 Como foi realmente lançado o desafio ao governo de Deus, intentado por Satanás? O relato bíblico diz que um humilde animal do campo, uma serpente, falou a Eva. Naturalmente, nenhum animal pode falar por si mesmo. Satanás, o Diabo, foi realmente quem falou, usando a serpente. Por causa desta fraude e do uso da serpente, Deus o chamou de “serpente [enganador] original”. (Revelação 12:9) Jesus salientou que Satanás foi o instigador do desafio à soberania de Deus, quando disse que o Diabo era o “pai da mentira” e homicida, desde o começo de seu proceder rebelde, no Éden. (João 8:44) o registro bíblico sobre esta primeira mentira e a rebelião reza:
28 “Ora, a serpente mostrava ser a mais cautelosa de todos os animais selváticos do campo, que Jeová Deus havia feito. Assim, ela começou a dizer à mulher: ‘É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?’ A isso a mulher disse à serpente: ‘Do fruto das árvores do jardim podemos comer. Mas, quanto a comer do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Não deveis comer dele, não, nem deveis tocar nele, para que não morrais.”’ A isso a serpente disse à mulher: ‘Positivamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.’” — Gênesis 3:1-5.
29 Até aquele tempo, a mulher havia obedecido à injunção de não comer da “árvore do conhecimento”, à qual a serpente se referiu. Ela tinha toda espécie de alimento para comer e não padecia necessidade. Entendia que comer da árvore traria maus resultados. Não era que o fruto fosse venenoso, mas Deus havia dito que comer dele traria a condenação, à morte por Ele. Ora, quando alguém, na floresta, vê certas plantas, tais como o sumagre-venenoso ou certas árvores frutíferas, de que é perigoso comer, sente-se atraído ou impelido a tocar nelas, e tomar e comer delas? Não, não há tal atrativo. Assim foi com Eva. Mas, a mentira de Satanás deu então atrativo à árvore Ela creu nas palavras dele, proferidas por meio da humilde serpente, mais do que nas de seu Criador. Lemos:
30 “Conseqüentemente, a mulher viu que a árvore era boa para alimento e que era algo para os olhos anelarem, sim, a árvore era desejável para se contemplar. De modo que começou a tomar do seu fruto e a comê-lo.” — Gênesis 3:6.
EVA FOI ENGANADA
31 Por que Eva não ficou pasmada e por que não fugiu quando a serpente lhe falou, o que era de surpreender? A Bíblia não o diz. É possível que ela viu a serpente na árvore e que as ações dela lhe possam ter atraído a atenção. Sabia que era um animal muito cauteloso. De modo que a serpente pode ter parecido muito sábia, e quando falou, parecia ter sabedoria especial.
32 De qualquer modo, a mentira proferida por meio deste animal convenceu-a de que ela não morreria se comesse do fruto. Antes, acreditava que obteria poderes especiais — ser semelhante a Deus, livre e independente, para julgar por si mesma o proceder a adotar. Ela não dependeria de ninguém, nem estaria sujeita a alguém. Certamente, abandonou a sujeição ao seu marido, que lhe havia declarado a ordem de Deus. Foi adiante e tomou do fruto, sem consultá-lo.
33 Foi por isso que o apóstolo Paulo enfatizou a submissão por parte da mulher cristã. Indicou que Eva, pensando que conseguiria a independência absoluta, na realidade estava fazendo exatamente o oposto e trazendo sobre si mesma a maior dificuldade. Tentou fazer algo para o qual não estava equipada. Paulo disse: “Adão não foi enganado mas a mulher foi totalmente enganada e veio a estar em transgressão.” — 1 Timóteo 2:11-14.
ADÃO TEVE FALTA DE FÉ
34 Visto que Adão não foi enganado, o que o impeliu a juntar-se a sua esposa na rebelião? Ele deixou que o anelo que tinha de sua esposa, Eva, tivesse prioridade sobre a sua relação com Deus. Portanto, quando viu sua esposa, tomou dela o fruto. — Gênesis 3:6.
35 A Bíblia não registra as palavras trocadas entre Adão e Eva. Mas, de repente, ele ficou ali com um seríssimo problema ‘na mão’. Adão talvez tenha tido problemas a resolver com relação ao seu domínio sobre os animais e ao cultivo do jardim mas esta situação com Eva era algo que lhe tocava diretamente o coração e testava sua lealdade. Tal vez se perguntasse: ‘Por que tinha de me acontece algo assim, tão de repente e tão chocante, no meio duma vida feliz? Por que permitiu Deus que ocorresse?’ Sua fé em Deus ficou testada. Devia ter demonstrado amor superior a Deus. Devia ter sabido que Deus o apoiaria. — Salmo 34:15.
36 Deus, certamente, teria cuidado de seu filho Adão, se este tivesse permanecido leal. Teria resolvido a questão para a completa felicidade de Adão. (Veja o Salmo 22:4, 5.) Mas, Adão não exerceu tal fé. Além disso, procurou desculpar-se, dizendo: “A mulher que me deste para estar comigo, ela me deu do fruto da árvore e por isso o comi.” — Gênesis 3:12.
37 A resposta de Adão, em que ele se desculpava, acusou a mulher como sendo a culpada. Mas Adão era plenamente responsável, e, como chefe de sua família, era com ele que Deus lidava diretamente. Era repreensível. Na realidade, Adão adotou o proceder descrito em Tiago 1:13-15:
38 “Quando posto à prova, ninguém diga: ‘Estou sendo provado por Deus.’ Não; pois, por coisas más, Deus não pode ser provado, nem prova ele a alguém. Mas cada um é provado por ser provocado e engodado pelo seu próprio desejo. Então o desejo, tendo-se tornado fértil, dá à luz o pecado, o pecado, por sua vez tendo sido consumado, produz a morte.”
PREJUDICADA TODA A RAÇA HUMANA
39 Adão tornou-se com isso pecador. De acordo com o significado da palavra hebraica para “pecado”, ele ‘errou o alvo’. Não conseguia mais estar à altura das normas perfeitas. Morreu em sentido espiritual e também começou a morrer fisicamente, naquele dia. Adão tinha então uma falta, uma fraqueza moral, que também o afetava fisicamente porque “o aguilhão que produz a morte é o pecado”. (1 Coríntios 15:56) Com a ruína da espiritualidade de Adão, seu funcionamento mental ficou desequilibrado, e isto contribuiu para o desequilíbrio e a deterioração de seu corpo físico. Adão tinha de morrer. (Gênesis 3:19) Não podia transmitir a plena força moral ou física aos seus filhos, porque não mais a possuía para dar. Por conseguinte, “todos pecaram e não atingem a glória de Deus”, que Adão antigamente refletia na sua perfeição. — Romanos 3:23.
40 Sendo pecador, Adão não tinha mais direito a ter comunicação com Jeová Deus. Não tinha mais direito a continuar a viver no jardim paradísico. Deus, evidentemente, falou então ao seu primogênito Filho celestial. Este Filho havia sido usado por Jeová na obra criativa. (Colossenses 1:13, 15, 17) Jeová disse: “‘Eis que o homem se tem tornado como um de nós, sabendo o que é bom e o que é mau, e agora, a fim de que não estenda a sua mão e tome realmente também do fruto da árvore da vida, e coma, e viva por tempo indefinido . . .’ Com isso, Jeová Deus o pôs para fora do jardim do Éden para lavrar o solo de que tinha sido tomado.” (Gênesis 3:22, 23) Assim também hoje, as Escrituras ordenam que a pessoa má ou imoral, que é impenitente, tem de ser desassociada da comunhão e associação da congregação cristã. — 1 Coríntios 5:11-13.
41 O que significava tudo isso para a raça humana? O resultado foi a fraqueza herdada. No entanto, ninguém pode de direito lançar sobre isso a culpa de todas as ações más que faz, porque, na realidade, todos podem pecar propositalmente e assim ter responsabilidade individual. O pecado multiplicou-se na raça humana, de modo que se manifestou a sua extrema maldade, com todas as dores e tristezas que isso traz. O pecado tem reinado sobre a humanidade, permeando quase todos os pensamentos e ações; o egoísmo está arraigado. — Romanos 5:14.